Os bastidores das notícias, e os principais personagens, que movimentam a política do Distrito Federal

DF: pais criam petição contra reabertura de escolas militarizadas

Até esta terça-feira (21/04), mais de 2,5 mil assinaturas já haviam sido colhidas por responsáveis que são contra a medida

atualizado 21/04/2020 17:38

Reprodução / WhatsApp

Os pais e responsáveis por estudantes matriculados nas escolas cívico-militares criaram uma petição on-line com o objetivo de sensibilizar o governador Ibaneis Rocha (MDB) a adiar a reabertura das unidades gerenciadas pelo Governo do Distrito Federal (GDF). A ideia foi cogitada pelo emedebista após reunião com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ocorrida na tarde de segunda-feira (20/04), no Palácio do Planalto.

Pelo menos dois grupos de WhatsApp foram criados com a finalidade de organizar protestos, abaixo-assinados e até ações judiciais para tentar evitar a reabertura das unidades com gestão compartilhada. Por meio de um link, o Metrópoles ingressou nos bate-papos para acompanhar as manifestações dos usuários. Até as 17h desta terça-feira (21/04), o manifesto havia recolhido mais de 2,5 mil assinaturas.

“Se quisessem testar a população, deveriam abrir o comércio e não expor as crianças. Não queremos nossos filhos como cobaias humanas”, escreveu uma mãe em um dos grupos, batizado Colégios Militares Contra Covid e que reúne pelo menos duas centenas de participantes.

Além das 12 escolas de gestão compartilhada com a Polícia Militar (PMDF), sob responsabilidade da Secretaria de Educação, também integram o grupo de debate os pais de estudantes matriculados em escolas exclusivamente militares, como o Pedro II, do Corpo de Bombeiros, e o Colégio Militar. A reportagem procurou alguns dos integrantes dos canais de discussão. Por telefone, eles reforçaram a defesa das escolas fechadas.

Vice-presidente do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-DF), Tiago Pessoa é pai de uma aluna de 5 anos, que aderiu ao confinamento há mais de um mês. Segundo ele, o retorno às salas de aula nos próximos dias representa uma ameaça às famílias. “Veja só: são cerca de 14 mil estudantes que voltarão para as escolas, sem que elas estejam preparadas para receber os alunos. Minha filha convive com a avó, que mora conosco e está no grupo de risco. Todos sabemos que crianças, na maior parte, são assintomáticas e vetores para proliferação da doença”, disse ele à coluna.

Reações

Alguns pais já pensam em medidas alternativas para a proteção dos filhos. “Caso isso aconteça [volta às aulas], estarei segunda bem cedo na frente da escola. Vou estar de máscara e luvas, aguardando vocês para fazermos um cordão humano e não permitir que ninguém entre na escola. Sei que é uma medida drástica, mas, como pais, sempre desejamos nos colocar no lugar da dor de nossos filhos”, afirmou uma mãe.

Para a empresária Luíza Farias, que tem um filho de 8 anos em escola militar, a medida é considerada precoce. “Meu filho não volta. Nem com máscara nem mergulhado no álcool em gel. Não vai voltar. Prefiro que ele perca o ano e tenha segurança a expô-lo”, disse à reportagem.

A professora Rosilene Correa, diretora do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF), considera recorrer à Justiça contra a possibilidade de reabertura desse grupo específico de escolas.

“Certamente haverá uma reação da categoria e da comunidade escolar, de um modo geral contrárias à possível decisão do governador e, se for necessário, iremos também à Justiça, entendendo que as recomendações a serem seguidas são da OMS [Organização Mundial da Saúde].”

O que diz o GDF

O GDF disse à reportagem que ainda não houve nenhuma determinação oficial do governador e que só se pronuncia após a oficialização do ato.

Últimas notícias