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Desenvolvedora de app que tumultuou prévias do PSDB é fundação pública

Faurgs é ligada à Universidade Federal do Rio Grande do Sul e foi responsável pela criação do aplicativo que apresentou falhas técnicas

atualizado 22/11/2021 10:51

Militantes de Eduardo Leite no PSDBHugo Barreto/Metrópoles

O aplicativo que apresentou problemas e impediu filiados do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) de votar, neste domingo (21/11), foi desenvolvido pela Fundação de Apoio à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs). A informação foi confirmada pelo Metrópoles com integrantes do partido.

De acordo com tucanos, a escolha de uma fundação pública trata-se de imposição por limitações do uso do fundo partidário tucano, motivo o qual impediu a contratação de uma empresa privada especializada em desenvolvimento de sistemas.

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Segundo o colunista Guilherme Amado, do Metrópoles, o sistema custou R$ 1,25 milhão.

A instabilidade no sistema de votação começou a ser registrada na manhã deste domingo (21/11) e impediu a escolha do candidato tucano à Presidência da República em 2022.

Como funcionam as prévias do PSDB que definem presidenciável

A reclamação não referia-se à lentidão no aplicativo, mas à impossibilidade de votar. Em nota, o presidente do diretório de São Paulo, Marco Vinholi, diz que até 12h30, a ferramenta ficou mais de quatro horas instável.

Os problemas tecnológicos da plataforma resultou numa reunião emergencial entre a cúpula tucana e os candidatos à corrida presidencial do ano que vem: os governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS), além do ex-senador Arthur Virgílio (AM).

O Metrópoles acionou tanto o PSDB quanto a Faurgs para questionar sobre a crise gerada pelo aplicativo, mas ainda não obteve retorno. O espaço será atualizado se houver manifestação oficial das duas partes.

Eleição híbrida

Presencialmente em Brasília, apenas dirigentes tucanos e mandatários — com exceção de vereadores — podem votar nas urnas cedidas pela Justiça Eleitoral. Esse número é de 700 nomes, entre governadores, prefeitos, vices, senadores, deputados federais, deputados estaduais.

Os demais filiados participam do pleito por meio de um aplicativo criado exclusivamente para registrar cada um dos 44,7 mil tucanos que se cadastraram para votar pela internet.

“Noventa por cento de todos os detentores de mandatos do PSDB se cadastraram pra votar. Nós estamos falando 100% dos senadores, deputados federais, 100% estaduais, 100% dos governadores, 92% de prefeitos e vice-prefeitos, 90% dos vereadores e os outros 39 mil, que significam eleitorado maior do que cinco mil municípios brasileiros”, disse o presidente nacional da sigla, Bruno Araújo.

Segundo o cacique tucano, a decisão de realizar prévias para a escolha de candidatos “não tem mais volta”. “Daqui para a frente, é isso dentro do PSDB, e a gente espera que outros partidos aliados ou que disputam porções políticas conosco ingressem nessa mesma posição de democratizar essas decisões”, continuou.

Lisura e transparência

A Faurgs esclarece que “está investigando todas as possíveis causas da instabilidade verificada no aplicativo das prévias do PSDB. Desde que os primeiros relatos foram informados, os esforços dos técnicos da instituição estão em descobrir a causa da lentidão do sistema. Assim que houver total comprovação, o detalhamento desse ocorrido será levado a público.”

A fundação acrescentou que “ao contrário do que foi especulado, os problemas não têm qualquer relação com a compra de licenças para suportar o reconhecimento facial dos filiados. Tanto é que o mesmo número de certificados permitiu o cadastramento bem-sucedido dos mais de 44 mil eleitores.”

Segundo a Faurgs, “os votos até agora registrados não serão perdidos, e a segurança do sistema não foi afetada. Todo o processo está sendo acompanhado por técnicos representando as três chapas inscritas, garantindo lisura e transparência.”

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