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Conselho de Saúde sobre inclusão de assessores em vacinação do HBDF: “Inaceitável”

Em nota de repúdio, presidente do órgão, Jeovânia Silva, criticou investida a qual acabou sendo cancelada pela atual direção da unidade

atualizado 22/01/2021 20:43

Rafaela Felicciano/Metrópoles

O Conselho de Saúde do Distrito Federal repudiou, nesta sexta-feira (22/1), a tentativa de assessores das superintendências do Hospital de Base (HBDF) de serem incluídos no grupo prioritário de vacinação contra a Covid-19. O caso foi revelado pelo Metrópoles e, após a repercussão, a unidade anunciou a exclusão desses gestores administrativos da primeira fase da campanha.

Apesar disso, o órgão máximo de controle das ações da pasta decidiu registrar publicamente as críticas contra a investida do hospital de referência (veja a nota completa abaixo).

No texto, a presidente da instituição, Jeovânia Rodrigues Silva, disse ser inadmissível o ato, “diante do desafio inglório dos gestores da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal para tentar estabelecer critérios de subdivisão para o primeiro grupo prioritário, em um cenário no qual as vacinas são, ainda, em número insuficiente, e tendo em vista a importância de imunizar aqueles que têm enfrentado a pandemia, atuando de forma heroica e sem medir esforços, como profissionais valorosos que são, na tentava de minimizar o sofrimento de pacientes acometidos pelo vírus e seus familiares.

“É absolutamente inaceitável a atitude do Superintendente do Hospital de Base, destinando aos gabinetes dos seus superintendentes uma imunização preciosa, enquanto milhares de profissionais deixaram de ser imunizados neste crítico momento de doses extremamente reduzidas”, afirmou.

Veja a nota:

Entenda o caso

Reportagem do Metrópoles publicada nesta manhã revelou que o Plano de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 do Hospital de Base inclui gestores da unidade que não atuam na linha de frente contra o novo coronavírus.

Uma nota do Iges-DF divulgada na noite desta sexta-feira informou sobre a decisão de retirar da lista prioritária os gestores administrativos, “apesar de todos serem profissionais de saúde”.

O superintendente do Hospital de Base, Lucas Seixas, disse: “Apesar de sermos médicos, psicólogos, entre outras especialidades, e entrarmos em todas as áreas Covid do hospital, não vamos nos imunizar na primeira fase”.

Vacinação

O Hospital de Base prevê para esta sexta o encerramento da aplicação das 1.160 primeiras doses da Coronavac recebidas pela unidade. A imunização começou na quarta-feira (20/1) e, segundo o Iges-DF, atendeu somente profissionais que atuam na linha de frente do combate ao novo coronavírus, incluindo médicos, enfermeiros, agentes de limpeza, higiene e segurança.

A Superintendência do Hospital de Base promete enviar à direção do Iges-DF, à Secretaria de Saúde e ao Ministério Público do DF e Território (MPDFT) a relação de todos os nomes dos colaboradores vacinados e os respectivos cargos que ocupam. Isso deve ser feito após o final da vacinação do primeiro lote.

Segundo o superintendente do Hospital de Base, está prevista “para breve” a renovação do estoque pelo Ministério da Saúde e, portanto, será possível dar continuidade ao processo de vacinação.

“Pelas orientações do Ministério da Saúde, todos os profissionais de saúde têm prioridade para a vacinação, fazendo parte do grupo 1. Mas, dentro desse grupo, precisamos priorizar alguns setores, como o pronto-socorro e toda a área Covid. Mas queremos dizer que, muito em breve, todos os colaboradores do hospital serão imunizados”, disse Seixas.

Mais doses

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o segundo pedido de uso emergencial da Coronavac, vacina produzida em parceria do Instituto Butantan com a chinesa Sinovac. Com a liberação, está permitida a distribuição de mais 4,8 milhões de doses do imunizante.

Um avião comercial com 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca pousou em São Paulo, nesta sexta-feira. A vacina deve começar a ser entregue às unidades da Federação no sábado (23/1).

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