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Bolsonaristas agridem duas mulheres durante ato na Praça dos Três Poderes

O caso ocorreu na noite de sábado (06/07), após provocações dos militantes que defendem presidente da República. PM foi acionada

atualizado 07/06/2020 13:37

Mulher é agredida em ato a favor de Jair BolsonaroArquivo pessoal

Duas mulheres foram agredidas, na noite desse sábado (07/06), durante um ato em defesa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), na Praça dos Três Poderes, em Brasília. O caso ocorreu por volta das 19h30, próximo à sede do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o relato feito pelas redes sociais, a confusão ocorreu durante engarrafamento causado no local pelo ato favorável ao atual ocupante do Palácio do Planalto. Quando as universitárias se aproximaram da manifestação, passaram a ser provocadas e xingadas pelos presentes. Duas crianças, uma de três e outra de 10 anos, também estavam no interior do veículo.

Ao Metrópoles, a estudante Kimberlly Oliveira (foto em destaque), de 24 anos, disse que estava no carro com a amiga e se deslocavam com destino a São Sebastião. “Tudo começou com um cara que estava balançando bandeiras dos Estados Unidos, do Brasil e de Israel. Eu estava incomodada com o engarrafamento e precisando chegar em casa. Por eu estar com a cara fechada, ele começou a me provocar e a me ‘xingar’ de esquerdista”, disse.

Segundo ela, a partir de então, outros manifestantes se acumularam e passaram a chutar e bater no carro com pedras e pedaços de pau. “Minha amiga desceu para ver os danos na lataria e a confusão começou de vez. Desci para filmar os agressores e levei um soco, que fez meu celular cair no chão. Ela também foi bastante agredida. Estou nervosa até agora”, disse.

Segundo Kimberlly, a Polícia Militar (PMDF) conteve os agressores e, depois, orientou as duas a irem para casa. Nas imagens, o integrante da corporação aparece sem o uso de máscara. O item é obrigatório no Distrito Federal desde a publicação de um decreto assinado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB).

Impotência

“O policial estava sem a identificação na farda e falou: ‘Se você quer um conselho, melhor vocês irem para casa’. Eu estava assustada, com uma sensação de impotência. Embora houvesse muitas mulheres no protesto, todas as pessoas que bateram na gente eram homens. A minha amiga tem 1,53m de altura e tinha gente partindo para cima dela com cassetete. As duas crianças viram tudo e choravam muito, foi um pesadelo. Chegamos em casa e percebemos como estávamos machucadas. Nunca pensei que isso pudesse acontecer comigo”, relatou à reportagem.

Com a repercussão do vídeo na internet, o caso chegou até uma representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF), que passou a dar orientações para as amigas. “Vamos na delegacia ainda hoje para registrar a ocorrência e pedir a identificação dos agressores. O que mais me chamou atenção é que tinha gente com mais idade, usando jóias, pessoas aparentemente instruídas e extremamente violentas. Uma senhora tirou a máscara para cuspir na gente”, continuou.

A Polícia Militar, por nota, afirmou que foi acionada “por uma mulher que disse ter sido agredida por manifestantes que estavam na Praça dos Três Poderes”.

Ainda segundo a corporação, “os militares conversaram com ela com o intuito de identificar os possíveis agressores. Mas ela não soube apontar quem seriam os responsáveis. Apesar da insistência dos policiais para que ela registrasse a ocorrência, ela se negou a fazê-lo”, completou.

De acordo com a PM, com o intuito de “facilitar a comunicação entre os militares que estavam em áreas afastadas, o policial que atendeu a moça tirou a máscara por um instante”.
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Veja o relato:

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