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Barros gastou em maio o dobro da verba parlamentar de meses anteriores

Líder do governo na Câmara destinou R$ 28,2 mil para campanhas publicitárias. Valor foi pago à vista, e é maior que salário do parlamentar

atualizado 29/06/2021 18:34

Ricardo Barros, líder do governo na CâmaraIgo Estrela/Metrópoles - 11 de novembro de 2020

Na mira da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, o líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), gastou apenas no mês de maio mais do que o dobro da verba parlamentar disponível usada nos meses de abril e março deste ano. O valor total no período analisado foi de R$ 46.941,68.

Apenas neste ano, o parlamentar já usou R$ 146.686,67 da cota pública. Os dados estão na página da transparência da Casa e podem ser conferidos abaixo. O valor gasto apenas no mês passado, de acordo os dados da própria Câmara, foi o maior desde o início deste ano.

Para se ter ideia, no mês de abril o congressista recorreu a R$ 17.184,67 de verbas indenizatórias. Em março, esse dispêndio foi de R$ 16.504,29. O segundo mês com maior uso do dinheiro público foi fevereiro, quando o mandatário torrou R$ 38.035,87.

Dos compromissos assumidos, Ricardo Barros destinou a maior fatia (75%) para a divulgação de atividade parlamentar. De acordo com as notas fiscais, o líder do governo pagou à vista o valor de R$ 28.250,00 para custear campanhas de outdoor sobre recursos de emendas conquistadas pelo paranaense ao estado de origem. A cifra supera o salário líquido registrado pelo portal de transparência da Câmara dos Deputados, que é de R$ 21.386,95.

Das três notas fiscais que somam o montante da ação publicitária, duas empresas receberam os recursos públicos: Projeção Outdoor (R$ 3.950,00)  e Outmar Painéis e Cartazes (R$ 24.300,00). Outros R$ 6.250,00 foram direcionados para a empresa Orn Mídia Comunicação, responsável pelas redes sociais do congressista.

De acordo com as notas fiscais, o valor foi destinado para “veiculação em outdoor para divulgação da atividade parlamentar do deputado federal Ricardo Barros – Recursos federais conquistados para o município de Maringá – verbas para ampliação da pista do aeroporto, recursos para Hospital da Criança, Contorno Norte, Cidade Industrial – pagamento à vista”, reafirma.

Assim como outros integrantes da bancada do Paraná na Câmara, Ricardo Barros tem a cifra mensal de R$ 38.871,86 para despesas do mandato. Nos casos de reembolso, os deputados têm três meses para apresentar os recibos. O valor mensal não utilizado fica acumulado ao longo do ano, o que explica o motivo de que, em alguns meses, o valor gasto pode ser maior do que o limite mensal.

Veja notas fiscais: 

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O que diz o parlamentar?

Procurada, a assessoria de imprensa de Ricardo Barros afirmou afirmou que o valor adicional na comparação com os gastos de outros meses é referente a uma campanha de outdoor para a prestação de contas dos recursos viabilizados pelo deputado para a cidade de Maringá.

“Foram contratados pontos de outdoors distribuídos no município, que possui 400 mil habitantes. A campanha está dentro de todos os parâmetros exigidos pela Câmara dos Deputados. Em todos os anos anteriores, Barros realizou campanhas de divulgação, mas nunca utilizando toda cota durante o ano, devolvendo os recursos ao erário.”

Ainda segundo o gabinete do parlamentar, “os pagamentos das empresas de outdoor também foram realizados à vista e ressarcidos posteriormente, seguindo a regulamentação da Câmara. Outdoor é uma das formas que o parlamentar utiliza para prestar contas do trabalho”.

Alvo da CPI

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), apresentou um requerimento para convocar o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros.

O nome de parlamentar foi citado pelo deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) em depoimento à CPI na sexta-feira passada (25/6).

Na ocasião, o deputado afirmou que o líder do Governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), havia sido mencionado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como possível envolvido em esquema, ao ouvir denúncia sobre os supostos problemas no contrato da vacina. Barros nega envolvimento.

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