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Artista acusa GDF de violar obra sobre Renato Russo no Parque da Cidade

Mara Nunes criou e doou a escultura Eduardo e Mônica como homenagem ao cantor brasiliense, mas peça foi adulterada sem autorização prévia

atualizado 17/11/2020 22:29

Acervo pessoal

Uma gigantesca obra de arte em homenagem ao cantor Renato Russo, localizada no Parque da Cidade, foi completamente descaracterizada. A denúncia é da autora da peça, a artista plástica Mara Nunes, que descobriu as alterações não autorizadas quando passeava, na última segunda-feira (16/11), pelo local da instalação.

Batizada de Eduardo e Mônica, uma das composições de maior sucesso do ex-vocalista da banda Legião Urbana, a escultura criada no ano de 2001, com imponentes 6 metros de altura, foi completamente adulterada ao ser pintada de cinza chumbo.

A obra perdeu a característica original do efeito do cobre aparente causado pelo aço corten, tipo do material com grande durabilidade e marcante pela tonalidade do vermelho-ferrugem.

Veja o antes e depois:

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Patrimônio

“Eu fiquei chocada. Isso é um absurdo. Que ignorância, meu Deus! Quem é que está cuidando do patrimônio artístico de Brasília? Eu fiquei pensando: se botaram a obra de Oscar Niemeyer para fora do espaço que leva o seu nome, imagina eu, Mara Nunes?! Não é possível um desrespeito desse, nunca vi nada igual na minha vida. Não sei o que fazer, só seu que é um crime contra o patrimônio”, desabafou.

A escultora se referiu à mudança de concepção do Espaço Oscar Niemeyer, antes usado para expor croquis e peças do principal arquiteto da inauguração de Brasília, para virar um centro cultural. Ela também aponta outros “descasos” com obras artísticas abandonadas e até mesmo sucateadas por, segundo ela, “falta de consciência cultural”.

“Vão atropelando, vão fazendo essas coisas. Brasíla é uma cidade modernista. O que me estimulou foi justamente o uso do material [aço corten]. Fui aos Estados Unidos para visitar trabalhos de Richard Serra, fui ao atelier do Amílcar de Castro e estou sem saber como a ignorância está batendo na nossa cidade. Gente, que horror! Tudo abandonado e a parte de arte não está sendo respeitada. Que tristeza testemunhar tudo isso”, emendou.

A artista plástica também lembrou do caso da obra de arte do Balão do Aeroporto assinada por Yutaka Toyota e que desapareceu do DF há 14 anos quando o local foi reformado, no ano de 2005. Batizada de Espaço Cósmico 8, a escultura foi criada na década de 1980 e impressionava pelas grandes dimensões — um cubo maciço de 2,20 metros cúbicos e outro vazado, que ficava suspenso no ar. A obra permaneceu exposta por 24 anos no mesmo local, tornando-se patrimônio cultural de Brasília.

O que diz o GDF?

A coluna conversou com o administrador do Parque da Cidade, Silvestre Rodrigues. Por telefone, ele disse ter sido procurado por produtores culturais da cidade interessados em “revitalizar” a obra, aparentemente enferrujada.

“Meu Deus, eu não sabia. Fui informado que a peça estava sem manutenção e, claro, pelo bem da comunidade, achei por bem aceitar a proposta de revitalização no fim do ano passado. Nunca poderia imaginar que estaria fazendo uma coisa dessa. Vou procurar imediatamente a artista para pedir minhas desculpas”, disse.

Por nota, o GDF também salientou que “diante da situação apontada pela artista plástica Mara Nunes, a Administração do Parque irá averiguar e tomar as providências necessárias para que seja restabelecida a originalidade da obra”.

 

 

 

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