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Após gravação, PTB Nacional afasta articulador da deputada Jaqueline Silva

A sigla reforçou que todos os envolvidos devem ser investigados e defendeu a distrital: "Desconhece qualquer prática fora da lei" por ela

atualizado 10/12/2020 22:31

Roberto JeffersonValter Campanato/Agência Brasil

A direção nacional do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) informou, na noite desta quinta-feira (10/12), que Daniel de Abreu Corrêa foi afastado da primeira-secretaria da legenda no Distrito Federal “para que possa exercer seu direito de ampla defesa e contraditória”. A sigla é comandada pelo ex-deputado federal Roberto Jefferson (foto em destaque).

Corrêa foi gravado organizando a nomeação, em março do ano passado, de um empresário para o Conselho do FAC, visando supostamente desviar verba e “fazer caixa para 2022” (veja abaixo). O caso foi revelado pelo Metrópoles.

Na gravação, Daniel – que atuou como articulador da campanha política da parlamentar – comentou que a indicação de Wallace Soares Nazário será feita a pedido da própria petebista. A nomeação não chegou a ser efetivada.

Em defesa da distrital, a executiva nacional da sigla sublinhou desconhecer “qualquer prática fora da lei pela presidente do Diretório do partido no DF, e reforça que todos os envolvidos devem ser investigados”.

De acordo com o texto encaminhado à coluna Janela Indiscreta, “a deputada Jaqueline Silva compareceu pessoalmente na direção da Polícia Civil, solicitando que todos os envolvidos sejam investigados. Ademais, reforçou que jamais permitiu que qualquer pessoa utilizasse o nome dela para obtenção de benefícios pessoais”, sublinhou a legenda.

Veja a nota:

PTB defende investigação dos envolvidos na gravação
Entenda o caso

Daniel Corrêa é a principal personagem de um áudio obtido pelo Metrópoles em que aparece dando dicas de como proceder para conseguir “uma graninha por fora“.

Ele inicia o diálogo com Wallace apontando o conselho do FAC como “o melhor cargo na Secretaria de Cultura, a nível de articulação política”, uma vez que “todos os orçamentos da secretaria passam pelo FAC”.

“O FAC é uma instituição que faz financiamento direto de vários projetos de políticas governamentais, como também abre editais de chamamento público para atender à comunidade artística. São vários conselheiros, alguns indicados do governo. Outros, pela sociedade civil. Se a gente consegue indicar alguma pessoa para participar do Conselho de Cultura, tudo vai passar pela mão dessa pessoa para ela assinar”, declara.

“Se a pessoa for um radical xiita, ela não vai assinar nada, vão isolá-la. Uma pessoa sozinha não faz verão, vai ficar isolada lá. Então, eu preciso ajudar, não adianta fazer ‘piti’, eu tenho que colaborar com as coisas”, afirma.

Ouça o áudio:

Recursos ilícitos

Na sequência, ele dá dicas de como Wallace deve se comportar para atrair os recursos ilícitos e que, dessa forma, conseguirá complementar o salário do empresário.

“Mais do que a reunião propriamente dita, mais do que participar, do que fazer toda a média burocrata lá, você precisa ter a habilidade de conversar com o gerente que tem três projetos da Jaqueline. Da quadrilha junina […], tem duas entidades órfãs aqui, vou ajudar para trazer para o grupo da Jaqueline […]. E essa flexibilização também vai poder gerar recurso financeiro para a gente, que é onde eu vou fazer o complemento do seu salário”, detalha.

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O que dizem os envolvidos?

Ao Metrópoles, a deputada distrital e presidente do PTB-DF, Jaqueline Silva, considerou o teor do áudio “extremamente grave” e adiantou que levará o caso ao conhecimento das autoridades policiais.

Leia a resposta dela, na íntegra:

A denúncia é extremamente grave e vai ser objeto de queixa à polícia, que deve investigar a conduta de todos os envolvidos. Jamais permiti que qualquer pessoa utilizasse meu nome. Sempre fui guiada pelos princípios de legalidade. A fala é completamente fantasiosa, pois jamais fiz qualquer indicação de membros para conselhos do GDF. O que é facilmente comprovado”.

Também em nota, o agora ex-primeiro-secretário do PTB-DF, Daniel Corrêa, admitiu o que disse no áudio, mas ressaltou que não tinha intenção de promover algum desfalque nos cofres públicos.

“Errei. Falei em nome de pessoas que jamais me deram este direito. Com o objetivo de demonstrar um poder que nunca tive, falhei comigo mesmo. A conversa ocorreu em março de 2019 e a indicação, por óbvio, nunca aconteceu, pois nunca tive tal influência. Também nunca tive verdadeiramente o objetivo de praticar o que ali foi colocado. Errei e estou pronto para arcar com as consequências”, respondeu Daniel.

Já Wallace Nazário não respondeu às mensagens enviadas pela reportagem. O espaço está aberto para eventuais manifestações.

A Secretaria de Cultura afirmou, por meio de nota, que “o Conselho de Administração do Fundo de Apoio à Cultura (Cafac) e os membros da sociedade civil têm indicação feita via Conselho de Cultura do DF (CCDF) e nomeação pelo secretário de Cultura e Economia Criativa, para mandato de três anos”, ressaltou.

Após a publicação da reportagem, o secretário de Cultura, Bartolomeu Rodrigues, reagiu duramente ao áudio que, segundo o gestor afirmou, cita, levianamente, a Secretaria de Cultura e o FAC, fundo de apoio ao setor.

“Isso é ridículo! O que este senhor está fazendo é pura bravata. Qualquer um que conhece a estrutura da secretaria e do FAC sabe que não há o menor cabimento técnico no que ele diz que vai fazer”, afirmou o secretário.

Bartolomeu defendeu que a deputada Jaqueline Silva deve agir com rigor no episódio: “Isso é caso de Polícia! E, se confirmado que o áudio é de um colaborador próximo, espera-se que a parlamentar tome as devidas atitudes”, disse.

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