
Ilca Maria EstevãoColunas

Shein: representante declina perguntas sobre uso de algodão polêmico
Consultora jurídica da varejista evitou responder se os produtos da marca utilizam insumo associado a trabalho forçado em uma região chinesa
atualizado
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A consultora jurídica geral da Shein na Europa, Yinan Zhu, causou polêmica durante audiência recente do Comitê de Negócios e Comércio do Parlamento do Reino Unido. Na ocasião, ao ser questionada, ela evitou responder se a varejista usa algodão cultivado na região de Xinjiang, na China. A produção do material no local foi associada, há alguns anos, ao uso de trabalho forçado e infantil de membros do povo muçulmano uigur.
Aos parlamentares, Zhu disse que não estava qualificada para responder, naquele momento, se algum fornecedor da cadeia de suprimentos utiliza o insumo, mas que a Shein poderia se manifestar posteriormente, por escrito. A varejista é uma das maiores empresas mundiais de fast fashion e muito popular no Brasil.
Vem entender!

Argumentos em defesa
Além da Shein, o parlamento britânico fez questionamentos sobre medidas trabalhistas para empresas como McDonald’s e Tesco. A varejista de moda asiática, avaliada em 50 milhões de libras, chamou atenção porque pretende ser listada na Bolsa de Valores londrina em 2025. Dois anos atrás, tentou sem sucesso entrar para a de Nova York, onde foi barrada pelos legisladores estadunidenses.
A empresa, segundo a consultora jurídica, estaria seguindo todos os requisitos legais do Reino Unido. A maior parte das operações da varejista, sediada em Singapura, fica na China.
Yinan Zhu garantiu que nenhuma das milhares de checagens, feitas por auditores independentes, constatou trabalho forçado ou infantil entre os fornecedores da marca. E que, se houvesse, ocorreria uma rescisão imediata do contrato. No entanto, como eles não são diretamente ligados à Shein, ela não soube dizer se algum dos fornecedores utiliza algodão de Xinjiang ou se teria sede na região.
“Para informações operacionais detalhadas e outros aspectos, não posso ajudar. Terei que escrever de volta para o comitê depois”, ela afirmou. “Cumprimos as leis e regulamentações em todos os lugares em que fazemos negócios e temos códigos de conduta de fornecedores. Temos sistemas e procedimentos robustos em vigor e políticas em vigor. Também temos medidas de execução muito fortes para garantir que aderimos a padrões que são esperados em nossa cadeia de suprimentos.”

Críticas dos parlamentares
Um dos parlamentares da audiência considerou as respostas da consultora jurídica como uma “ignorância deliberada”. Na avaliação dos presentes, que sentiram “zero confiança” nos depoimentos da consultora jurídica, as perguntas foram simples e as respostas não foram diretas, mas “inúteis e desrespeitosas”.
Ela não soube, por exemplo, dizer se algum dos fornecedores havia proibido a utilização do algodão da região chinesa, ou listar as quais são as categorias verificadas pelos auditores. A consultora jurídica disse ainda que recebeu um dossiê da campanha Stop Uyghur Genocide, que relaciona a produção de algodão com a exploração dos uigures, mas que ele não era diretamente relacionado à Shein.

Polêmicas e imagem pública
Os questionamentos sobre o algodão de Xinjiang somam entre as polêmicas da Shein nos últimos anos, que incluem a poluição ambiental gerada pela empresa, acusações de plágio e trabalho forçado na China.
Algumas medidas foram anunciadas pela varejista, vistas como tentativas de limpar a imagem pública, incluem o apoio a startups de reciclados têxteis no Reino Unido e na Europa, além um investimento de 250 milhões de euros na moda circular europeia.
