Valdemar cria problema com deputados do PL em SP por Bolsonaro

Valdemar havia prometido dar R$ 2 milhões do fundo partidário para políticos do PL, mas a quantia terá de ser repartida com bolsonaristas

A filiação de Bolsonaro ao PL e a migração de seguidores do presidente para o partido provocou nova confusão entre Valdemar da Costa Neto, o chefe do PL, e os deputados federais de São Paulo. O motivo da encrenca está na divisão do fundo partidário entre os políticos com mandato e os bolsonaristas que entrarão na sigla.

Valdemar havia feito um acordo para distribuir cerca de R$ 2 milhões do fundo partidário para os oitos deputados da bancada do PL e para mais dois políticos de confiança que estão sem mandato. Com a entrada de bolsonaristas para disputar a eleição em São Paulo, Valdemar precisará refazer os cálculos para repartir essa quantia entre todos.

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Divulgação/PL
Valdemar Costa, presidente do Partido Liberal (PL), tem perfil articulador nos bastidores políticos. Nos últimos tempos, retornou ao holofotes com a filiação de Bolsonaro ao PL
No governo Bolsonaro, o cacique da sigla já fez indicações ao Ministério da Saúde, ao Banco do Nordeste e ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação
Em outubro de 2021, Valdemar gravou um vídeo convidando Bolsonaro a ingressar no PL e, também, afirmou que iria apoiá-lo na campanha de reeleição
Em gravação a auxiliares, Waldemar defendeu a ideia dizendo que “todos têm que crescer”, se referindo à filiação do presidente
Valdemar foi questionado diversas vezes sobre os enroscos que poderia criar para o PL com a filiação de Bolsonaro, mas o objetivo sempre foi o crescimento do partido
O dirigente é visto no universo político como um “cumpridor de palavra”. Para ter Bolsonaro no partido, contudo, ele reviu acordos firmados com outros políticos
A filiação, inclusive, foi adiada uma vez, após troca de insultos entre Valdemar e Bolsonaro, incluindo um “VTNC você e seus filhos”, dito pelo presidente do PL
Bolsonaro negou a troca de farpas com o cacique do PL, mas exigiu ter a palavra final sobre os palanques do partido em 2022 nos três maiores colégios eleitorais do Brasil
O "casamento" só deu certo após Valdemar acertar a candidatura do ministro Tarcísio Freitas ao governo de São Paulo
Com a entrada do bolsonarista na eleição de São Paulo, Valdemar precisará refazer os cálculos para repartir o fundo partidário entre todos os deputados do PL

O PL espera que Eduardo Bolsonaro, Carla Zambelli e Coronel Tadeu consigam se reeleger no estado com ampla votação.

O partido também deve dar destaque para as candidaturas à Câmara de Frederico d’Ávila, hoje deputado estadual pelo PSL, do Tenente Mosart Aragão, assessor especial de Bolsonaro, e do coronel da reserva Ricardo Augusto Nascimento de Mello Araújo, que preside a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp).

Há ainda uma indefinição sobre o deputado Luiz Philippe O. Bragança, cortejado pelo PTB para disputar o Senado, e sobre o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, que não definiu para qual cargo se candidatará.

Além da repartição do fundo para os deputados, o PL terá de se organizar para investir na candidatura de Bolsonaro e no lançamento de uma chapa para concorrer ao governo de São Paulo. O partido iria apoiar Rodrigo Garcia, mas o presidente insiste em ter o ministro Tarcísio de Freitas como candidato.

Se a conta não fechar, Valdemar fatalmente presenciará a saída de alguns nomes da legenda.

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