Com Bruna Lima, Edoardo Ghirotto, Eduardo Barretto e Naomi Matsui

Documento da “Capitã Cloroquina” desmente Queiroga na CPI

Secretária pediu que ministro analisasse continuação do TrateCov, que receitava cloroquina até para crianças

atualizado 10/06/2021 16:09

Queiroga depõe à CPIRafaela Felicciano/Metrópoles

Onze dias antes de dizer à CPI da Covid que Mayra Pinheiro, secretária do Ministério da Saúde conhecida como “Capitã Cloroquina”, não trata de tratamento precoce em sua gestão, Marcelo Queiroga recebeu um documento que desmente sua versão.

No último dia 28, Pinheiro pediu ao gabinete do ministro e a outros quatro departamentos da pasta uma análise da continuação do aplicativo TrateCov. Lançado em janeiro pelo ministério, o aplicativo receitava o tratamento precoce com cloroquina e outras drogas ineficazes contra a Covid até para crianças e gestantes.

O documento, que tem como título “Solicita análise de conveniência e oportunidade no prosseguimento da ação Plataforma TrateCov”, foi assinado pela secretária e provocava a “alta administração deste ministério” a examinar se deveria ser mantido o TrateCov. Três dias antes, em depoimento à CPI, Mayra Pinheiro havia sido duramente questionada sobre o TrateCov.

“Renova-se a indicação para a análise acerca do tema, em especial pela Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19”, escreveu Mayra Pinheiro ao gabinete de Queiroga, acrescentando: “Sugere-se que, em caso positivo pelo prosseguimento, seja a ação abrigada sob a responsabilidade da Secretaria de Atenção Primária à Saúde”.

Além do gabinete do ministro, o ofício foi disparado para a Secretaria-Executiva; Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid; Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública; e Diretoria de Integridade da pasta.

Na última terça-feira, em seu segundo depoimento, Queiroga deu uma versão à CPI que contradiz o documento que havia recebido em seu gabinete onze dias antes. Questionado por Renan Calheiros por que ainda mantém a “Capitã Cloroquina” no cargo, mesmo o ministro sendo crítico ao tratamento precoce, disse Queiroga:

“A doutora Mayra (Pinheiro) não trata, na minha gestão, de tema relacionado ao tratamento precoce da Covid-19”.

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