Coordenador do MBL tem dívidas de R$ 6,3 milhões com a União

Renan Santos, fundador do MBL, viajou à Ucrânia com Arthur do Val, que divulgou áudios sexistas sobre as ucranianas

O coordenador do MBL, Renan Santos, deve R$ 6,3 milhões à União. As dívidas incluem tributos federais e multas trabalhistas. O deputado estadual Arthur do Val, que retirou a candidatura ao governo paulista depois da divulgação de áudios sexistas contra ucranianas, deve R$ 126 mil à União. O MBL deve R$ 80 mil.

Fundador do Movimento Brasil Livre, Santos tem R$ 6 milhões em aberto com o governo federal por falta de pagamento de tributos federais. Outros R$ 277 mil da dívida são de multas trabalhistas. Há ainda R$ 10 mil por outros débitos. Os dados constam da Dívida Ativa da União, mantida pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.

Arthur do Val, colega de MBL e da controversa viagem à Ucrânia, deve R$ 126 mil à União em multas eleitorais. O movimento, por seu turno, tem R$ 80 mil em dívidas: R$ 78 mil de multas eleitorais e outros R$ 2 mil em tributos federais.

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Arthur Moledo do Val, nascido em 1986, é um deputado, empresário e youtuber brasileiro. Natural de São Paulo, fez parte do Movimento Brasil Livre (MBL) e já foi filiado ao Democratas (DEM), Patriota e ao Podemos (PODE). Atualmente está filiado ao União Brasil
Dono do canal MamãeFalei, no YouTube, Arthur se autodeclara liberal e utiliza a plataforma de vídeo para disseminar suas ideias. Com mais de 2 milhões de seguidores, Arthur ocupa considerável espaço na direita conservadora do Brasil
Durante um tempo, foi apoiador ferrenho de Jair Bolsonaro mas, em 2019, assumiu pensamento convergente ao do MBL
Em 2018, após se filiar ao DEM, o youtuber foi eleito deputado estadual de São Paulo. Em novembro de 2019, no entanto, foi expulso do partido sob o pretexto de ter atitudes divergentes às ideias da sigla
Em 2020, Arthur se filiou ao Patriota e disputou a prefeitura da cidade de São Paulo, terminando na quinta colocação. Focado em disputar o Palácio dos Bandeirantes nas eleições de 2022, do Val se filiou ao Podemos
No final de fevereiro deste ano, em meio à guerra na Ucrânia, o deputado e o coordenador do MBL, Renan Santos, viajaram para o país europeu
Segundo eles, o objetivo do grupo na Ucrânia era conversar com pessoas que estão enfrentando a guerra. Renan afirmou que o convite foi feito a eles por ativistas que participaram dos protestos ucranianos de 2014, batizados de Euromaidan
Contudo, dias após chegarem ao país europeu, Arthur do Val teve áudios vazados com comentários machistas e sexistas contra policiais e refugiadas ucranianas. Em um deles, o deputado utiliza termos escatológicos, afirmando que as mulheres são “fáceis, porque são pobres” e que “eram minas que se ela cagar você limpa o cu delas com a língua”
A repercussão negativa dos comentários de Arthur fez com que ele declinasse da disputa pelo estado de São Paulo e se desligasse do Podemos. Além disso, a ação do deputado ainda lhe rendeu uma série de comentários negativos no Brasil e no Mundo. Apesar disso, logo após as falas sexistas, Arthur do Val se filiou ao União Brasil
No entanto, essa não é a primeira vez que o político se envolveu em polêmicas. Em 2016, Arthur foi acusado de assediar uma jovem de 17 anos. Em 2018, causou repulsa ao falar que não era a Patrícia Pillar, após Ciro Gomes bater na cabeça dele. Em 2020, foi condenado pela Justiça por ataques ao Padre Júlio Lancelloti, entre outras

Nos últimos dias, depois da divulgação de áudios sexistas de Arthur, Renan Santos tem cogitado seguir os passos do colega de MBL e abandonar o movimento. Arthur do Val é alvo de um processo de cassação na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e saiu do MBL.

Procurado, o MBL afirmou que Renan Santos contraiu as dívidas quando adquiriu empresas em débito, antes de fundar o movimento. “Os débitos não possuem qualquer vinculação com o MBL”, disse o comunicado, acrescentando: “Infelizmente, no país em que vivemos, qualquer cidadão que se atreve a ousar empreender está sujeito a apelações absurdas e burocráticas do sistema tributário brasileiro”.

O movimento declarou também que as dívidas do MBL estão sendo discutidas na Justiça. Sobre os débitos de Arthur do Val, o grupo afirmou que foram causados por uma condenação na eleição de 2020.

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