Com Bruna Lima, Edoardo Ghirotto, Eduardo Barretto e Paulo Cappelli

Brasil teve 4.651 “voos fantasmas” durante a pandemia

"Voos fantasmas" são aqueles em que a ocupação da aeronave é menor do que 10%

atualizado 27/02/2022 11:47

Avião - Banco de Imagens Aeroporto de BrasiliaGustavo Moreno/Metrópoles

O Brasil teve 4.651 “voos fantasmas” desde o início da pandemia, sendo 3,4 mil domésticos e 1,2 mil internacionais. Nesses voos, a ocupação da aeronave ficou abaixo de 10%. Os dados são da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

O auge aconteceu no primeiro mês de pandemia no Brasil, março de 2020, quando 559 aviões decolaram vazios ou com ocupação muito baixa. Com o lockdown em boa parte do país para conter o coronavírus, o setor aéreo foi diretamente atingido.

A Anac exige que as companhias aéreas mantenham quantidade mínima regular de voos entre os diferentes trajetos, independentemente de quantos bilhetes são vendidos. Essa obrigação foi suspensa em 12 de março de 2020, início da pandemia, e perdura até outubro deste ano.

Mesmo com a flexibilização da Anac, os “voos fantasmas” continuaram a acontecer. Em média, foram 222 por mês entre abril e dezembro de 2020, e 161 mensais ao longo de 2021.

A recorrência desses voos é criticada por ambientalistas por causa de seu impacto ambiental a um baixo benefício, uma vez que esses deslocamentos carregam poucos passageiros. Em relatório no mês passado, o Greenpeace alertou para a alta de “voos fantasmas” na Europa, que podem chegar a 100 mil neste trimestre.

“O termo ‘voos fantasmas’ surgiu na pandemia como referência à necessidade de as empresas aéreas operarem voos para manter slots [horários de pousos ou decolagens em aeroportos congestionados], mesmo com queda abrupta de demanda”, explicou o diretor de Planejamento de Malha Aérea da Gol, Rafael Araújo.

“Há ainda algumas operações usuais das empresas aéreas sem nenhum cliente embarcado, como traslados para posicionamento de aeronaves por motivos comerciais ou operacionais, como um traslado de uma aeronave para nosso centro de manutenção em Confins ou para fretar a Seleção Brasileira que jogou em outro país”, acrescentou Araújo.

O diretor da Gol explicou ainda que “no Brasil, diante do protagonismo da Anac e demais elos do sistema de aviação civil, foram aplicadas dispensas temporárias para cancelamentos (os chamados ‘waivers’), permitindo rápida adaptação da oferta à demanda”.

“Hoje existem ‘waivers’ aprovados até o fim de outubro de 2022 e que tem um regramento específico: os cancelamentos têm que ser feitos com muita antecedência para ter ‘waiver’, por exemplo”, continuou.

Já a Latam disse que nos primeiros meses da pandemia “se viu obrigada” a operar somente 5% dos voos programados. Mesmo assim, seguiu a empresa, garantiu “uma malha aérea mínima, sem deixar de atender nenhum dos estados brasileiros”.

Procurada, a Azul não respondeu.

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