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Viagem da cúpula da Polícia Federal aos EUA custou R$ 33 mil

O diretor-geral da PF, Paulo Maiurino, fez viagem oficial para os EUA e ficou em território norte-americano para tirar férias com a família

atualizado 01/10/2021 18:40

Paulo MaiurinoDivulgação/Assembleia Legislativa de São Paulo

A Polícia Federal gastou R$ 33,3 mil com a viagem oficial do diretor-geral da PF, Paulo Maiurino, e de mais dois integrantes da cúpula da corporação aos EUA, no mês de agosto de 2021. Após a missão oficial, o chefe da PF esticou a estadia no país para tirar férias com a família.

Segundo dados obtidos pela coluna Grande Angular por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), as passagens de classe econômica para os três servidores da PF custaram um total de R$ 26.530,55 aos cofres públicos.

Além de Maiurino, viajaram aos EUA o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado da PF, Luis Flávio Zampronha de Oliveira, e o coordenador-geral de Cooperação Internacional da Diretoria-Executiva da PF, Luiz Roberto Ungaretti de Godoy. Eles foram ao país norte-americano com a finalidade de visitar instalações do FBI.

A PF informou que a diária do diretor-geral saiu pelo valor unitário de US$ 460 (R$ 2.466,48) e a de Oliveira e de Godoy custaram US$ 420 (R$ 2.252,00) e US$ 390 (R$ 2.091,15), respectivamente. A corporação forneceu, por meio da LAI, o valor unitário das diárias para cada servidor, mas não detalhou qual foi o custo total da estadia da cúpula durante a viagem oficial.

Em agosto, a coluna revelou que Maiurino aproveitaria a ida aos EUA paga pela corporação para levar a família ao território norte-americano e tirar férias. A PF informou, à época, que os gastos da mulher e dos filhos do diretor-geral foram custeados por ele mesmo.

O chefe da corporação foi autorizado a realizar visitas institucionais no FBI, nas cidades de Washington, D.C, e Nova Iorque, entre os dias 12 e 20 de agosto. Por meio da LAI, a PF se negou a dizer qual foi o período de férias do diretor-geral e quando ele retornou ao Brasil. A PF alegou que as informações são de caráter pessoal e não podem ser repassadas a terceiros.

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“Convite”

Em meio à pandemia de Covid-19, há muitas restrições para obter a permissão de pisar em solo norte-americano. Um cidadão civil dificilmente tem conseguido a autorização, a não ser em exceções previstas pelo governo estadunidense, como é o caso de estudantes e imigrantes.

A embaixada e os consulados dos Estados Unidos no Brasil suspenderam os serviços de solicitação de vistos de não imigrantes, o que inclui pessoas que vão viajar aos EUA em caráter temporário para turismo, trabalho e intercâmbio, por exemplo.

A esposa de Paulo Maiurino não se enquadra nas exceções, mas tanto ela quanto os filhos do casal obtiveram a permissão para tirar férias no país, em função da agenda oficial do diretor-geral da PF.

Em agosto, a corporação disse à coluna que a esposa do diretor-geral possuía visto de turista. A PF confirmou que os familiares de Maiurino “receberam convite e visto oficial concedido pelo governo norte-americano, como é praxe em honrarias na FBI National Academy, em Quantico, Virginia”.

A PF reforçou que as passagens da esposa e dos filhos do diretor-geral foram pagas por Maiurino. Ainda segundo a instituição, o gestor tem férias vencidas que precisam ser usufruídas obrigatoriamente neste ano. “O prazo de estadia do visto diplomático é concedido a critério da imigração norte-americana”, afirmou.

Paulo Maiurino assumiu a chefia da PF em abril deste ano, depois da exoneração de Rolando Alexandre de Souza. A troca ocorreu após a posse do ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres.

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