TCDF dá 5 dias para BRB prestar informações de patrocínio a sala VIP
Contrato do BRB com Aeroporto de Brasília foi renovado dois dias antes de a CLDF aprovar projeto de socorro ao banco

O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) aprovou, em sessão nesta quarta-feira (15/4), prazo de cinco dias para o Banco de Brasília (BRB) prestar mais informações sobre o contrato de R$ 58,3 milhões para patrocínio da sala VIP do Aeroporto Internacional de Brasília.
A determinação atende a um pedido protocolado pelo deputado distrital Ricardo Vale (PT). O parlamentar pedia a suspensão do contrato, mas o relator do processo, o conselheiro Márcio Michel, ponderou que seria necessário ter mais informações antes de interromper as operações do patrocínio.

Receba no seu email as notícias da coluna Grande Angular
Frequência de envio: Diário
Ver todas“Se eu der a cautelar agora, automaticamente já se encerram os trabalhos no aeroporto. Não dei a cautelar para que o banco me informe qual a necessidade dessa contratação e se é oportuno continuar ou não. Para eu dar uma cautelar agora, eu tinha que encerrar de imediato todas as operações“, explicou Michel.
O conselheiro André Clemente chegou a defender que seria prudente proibir a continuidade do contrato, mas foi convencido pelos colegas da necessidade de se avaliar melhor a situação. “Me causa estranheza em um momento tão temerário que eles continuem renovando esse patrocínios de forma tão acelerada. Não sei se isso repercutiu no faturamento“, disse.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Grande AngularPor unanimidade, o colegiado aprovou conceder cinco dias para o BRB prestar esclarecimentos sobre o patrocínio e tratar o processo com urgência dentro da Corte.
Entenda
Em meio à crise após comprar ativos fraudados do Banco Master, o Banco de Brasília (BRB) assinou contrato de R$ 58,3 milhões para patrocínio da área VIP do Aeroporto Internacional de Brasília.
O acordo prevê “disponibilidade de acesso e utilização dos serviços da sala VIP” do aeroporto, com validade de 36 meses, a partir de 1º de março de 2026. O acordo ocorreu no pior momento da história do BRB, que precisa de pelo menos R$ 8 bilhões para cobrir prejuízos nos negócios feitos com o Master, alvo de investigação da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
Quando o contrato iniciou, em 1º de março, o BRB defendia a aprovação, na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), do projeto de lei que destinou ao banco nove imóveis públicos para serem utilizados na captação de recursos para salvar o BRB. A CLDF aprovou a norma dois dias depois, em 3 de março.
Questionado à época, o BRB afirmou que “possui plena capacidade financeira para assumir o investimento, que está alinhado à estratégia de fortalecimento de portfólio e competitividade, contribuindo para a expansão de receita e para o posicionamento institucional da marca.”





