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Cúpula do Banco do Brasil tentou reajustar salário de R$ 68,7 mil do presidente

O presidente Fausto de Andrade, vices e diretores recebem R$ 68,7 mil mais benefícios. Por ano, remuneração pode ultrapassar R$ 1,6 milhão

atualizado 15/05/2022 9:21

Fotografia colorida de homem de terno discursando em microfoneMarcos Oliveira/Agência Senado

O Banco do Brasil tentou, recentemente, aumentar o salário do presidente da instituição financeira, Fausto de Andrade Ribeiro, dos vice-presidentes e dos diretores. Hoje, o presidente recebe R$ 68.781,86 mensais, já o vencimento dos vice-presidentes é de R$ 61.564, e o dos diretores, R$ 52.177.

Eles também têm direito a uma remuneração variável, paga de acordo com o alcance de resultados pré-estabelecidos e que pode ultrapassar R$ 500 mil por ano, no caso do presidente.

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Além do salário fixo e da remuneração variável, os executivos do BB ainda têm acesso a uma série de benefícios: auxílio-moradia mensal de R$ 1,8 mil; plano de saúde mensal de até R$ 10 mil; seguro de vida anual de R$ 9,1 mil; avaliação de saúde anual de até R$ 8,6 mil; e previdência complementar de R$ 5,2 mil mensais.

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Se os executivos do Banco do Brasil usarem toda a fatia a qual têm direito, a soma dos salários e dos penduricalhos pode passar de R$ 1,6 milhão por ano. Todos os valores foram aprovados pelos acionistas e valem para o período de abril de 2022 a março de 2023.

Os integrantes da alta administração do BB têm salário maior do que os de outros bancos ligados ao governo. É o caso da Caixa – em que o vencimento do presidente da instituição financeira é de R$ 56.196 – e do Banco de Brasília (BRB), que paga R$ 55.382 mil.

A proposta de aumento salarial dos executivos do BB foi rejeitada durante a última Assembleia-Geral dos acionistas, realizada no dia 27 de abril deste ano.

Lucro

Na última quarta-feira (11/5), o BB anunciou lucro líquido reajustado de R$ 6,6 bilhões no 1º trimestre de 2022, um recorde para o período. A população reagiu mal à notícia, divulgada por vários veículos de comunicação, e apontou, nas redes sociais, que o lucro do banco diverge da situação vivida pela maioria dos brasileiros diante da alta da inflação e da vertiginosa subida do preço de insumos básicos.

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Ao restante dos funcionários, o BB toma iniciativas diferentes das que têm com os executivos. Recentemente, conforme mostrou a coluna, o banco anunciou a abertura de um programa de adequação de quadros para movimentações internas, com a retirada de comissões e desligamentos voluntários. No ano passado, o BB abriu dois programas para cortar pelo menos 5 mil funcionários.

Em nota, o Banco do Brasil disse que, “desde 2016, não há reajuste salarial para o presidente do BB, os vice-presidentes e diretores”. “Os salários permaneceram os mesmos desde então”, afirmou.

Sobre a remuneração variável, o BB ressaltou que “a análise sobre o pagamento pelo Banco do Brasil, referente ao Programa de Remuneração Variável dos Administradores (RVA), precisa considerar que os valores destinados aos executivos estatutários (presidente, vice-presidentes e diretores) estão em patamar bastante inferior ao praticado pelos principais bancos do país, com os quais o BB disputa mercado”.

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