Fabio Serapião

PF indicia “concierge do crime” que ligava PCC à máfia italiana

Homem fornecia diversos serviços ao Primeiro Comando da Capital e chegou a corromper cônsul para resgatar líder da facção

atualizado

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1 de 1 willian-agati-moçambique - Foto: Reprodução

A Polícia Federal indiciou Willian Barile Agati, apontado como o “concierge do crime organizado”, em especial do Primeiro Comando da Capital, o PCC.

Agati foi indicado pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e obstrução de Justiça após ser alvo da operação Mafiusi, deflagrada pela PF em dezembro de 2024. O caso foi enviado à Justia que decidirá se apresenta denúncia contra ele e outros 13 indiciados.

Atualmente preso, ele é apontado como líder de uma organização criminosa que atua no tráfico internacional de drogas por meio de navios e aviões.

O apelido “concierge do crime” foi dado por causa de sua atuação no fornecimento de diversos serviços para o PCC. Entre eles, os de logística para o narcotráfico, lavagem de dinheiro, fornecimento de aviões, veículos, imóveis e artigos de luxo.

Outro serviço prestado era a intermediação com compradores na Europa. Segundo a PF, o grupo liderado por ele atuava na rota marítima entre o porto de Paranaguá (PR) e o localizado na cidade espanhola de Valência. Ele também operava uma rota aérea entre o Brasil e aeroportos na Bélgica.

Entre os clientes no exterior estava a máfia calabresa ‘Ndrangheta. Ao longo das investigações que desaguaram na operação Mafiusi, a PF chegou a prender os italianos Nicola e Patrick Assisi, apontados como lideranças da máfia.

A operação Mafiusi também mostrou que outro produto oferecido por ele ao PCC foi o “carteira de cônsul” do Consulado da República de Moçambique.

Nesse caso, o objetivo era colocar em prática um plano para resgatar no país africano Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho.

Integrante da alta cúpula do PCC, Fuminho é apontado como braço direito de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e estava foragido em Moçambique, onde foi preso em abril de 2020.

Nesse plano, Willian Agati contou com a ajuda de Deusdete Januário Gonçalves, cônsul honorário de Moçambique, que também foi indiciado pela PF.

“A escolha de Willian como concierge da alta cúpula PCC ocorreu devido à sua imagem de empresário bem-sucedido que aparentemente justifica o padrão de vida luxuoso que ostenta, possibilitando a sua infiltração na alta sociedade”, disse a PF na representação pela sua prisão.

Willian Agati também apareceu em transações financeiras o time de futebol do Cruzeiro. Segundo a PF, ele aparece repassando cerca de R$ 3 milhões ao longo de um mês e de forma fracionada. O caso foi revelado pela revista Piauí.

Para a PF, o valor tem indícios de ser proveniente do tráfico internacional de drogas. Outro fato que chamou atenção da PF foi que, após 3 dias da última transferência, o Cruzeiro passou a devolver parte do dinheiro por meio de “transferências bancárias iniciadas em 19/03/2021 e que perduraram até 26/06/2022”.

“A partir da análise conjunta dos dados bancários com outros elementos colhidos na presente investigação, foi possível constatar que estas transações financeiras com o Cruzeiro Esporte Clube são referentes negociação de um jogador de futebol, a qual, pelas circunstâncias evidenciadas, tudo indica que consistiu numa operação fraudulenta realizada com objetivo de promover o branqueamento dos valores transacionados”, disse a PF sobre a transaões.

Defesa

Depois da publicação da reportagem, a defesa de Willian Agati enviou uma nota dizendo que Agati nunca praticou nenhum crime e que isso ficará provado durante a instrução processual. Ainda, negam que ele tenha qualquer ligação com o PCC ou com a máfia italiana.

“Agati é um empresário idôneo em diversos ramos nacionais e internacionais sem nunca ter respondido nenhum processo na justiça, e nunca teve e não tem nenhuma conexão com o PCC ou com a máfia italiana (não conhecendo nenhum membro ou pessoa ligada à facções ou máfia)”, afirma o advogado Eduardo Maurício.

O advogado também afirmou que busca que Agati possa responder ao processo em liberdade e está aguardando o julgamento do Habeas Corpus no STJ, “já que sua prisão é ilegal e abusiva”, segundo a defesa.

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