
Fábia OliveiraColunas

Relato de Flávia Alessandra levanta debate sobre sintomas da menopausa
Os sintomas que marcaram essa fase foram dificuldade para dormir, aumento da oleosidade da pele e cansaço persistente
atualizado
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Em um vídeo publicado ao lado da filha, Giulia Costa, a atriz Flávia Alessandra falou abertamente sobre sua experiência com a menopausa. Diferentemente do que muitas mulheres relatam, ela não teve fogachos nem ondas de calor intensas. Os sintomas que marcaram essa fase foram dificuldade para dormir, aumento da oleosidade da pele e cansaço persistente.
O relato chama atenção para uma questão importante. A menopausa não é igual para todas e pode se manifestar de maneiras bastante diferentes. De acordo com o ginecologista e obstetra Dr. César Patez, é um erro reduzir o período apenas aos fogachos.
“A menopausa é consequência da queda dos níveis de estrogênio e progesterona, e essa mudança hormonal impacta vários sistemas do corpo. Algumas mulheres terão ondas de calor intensas, outras vão perceber mais alterações no sono, no humor, na disposição e até na pele. A ausência de fogachos não significa uma menopausa mais leve ou menos importante”, explicou.
Segundo ele, a insônia é uma das queixas mais frequentes, mesmo quando não há calor súbito: “O estrogênio tem influência direta na regulação do sono. Com a sua redução, é comum que a mulher passe a ter mais dificuldade para iniciar ou manter o sono, o que gera cansaço durante o dia e sensação constante de exaustão”, afirmou.
A oleosidade da pele, como relatou a atriz, também pode estar ligada às oscilações hormonais. “A queda hormonal pode alterar o equilíbrio da pele. Em algumas mulheres ocorre ressecamento; em outras, há aumento da oleosidade e até surgimento de acne tardia. Isso acontece porque há uma mudança na proporção entre hormônios femininos e androgênios”, completou.
Para o ginecologista e cirurgião geral Dr. Vinícius Araújo, referência em cirurgias ginecológicas de alta complexidade, falar sobre menopausa com naturalidade ajuda a ampliar o entendimento sobre essa etapa da vida.
“Existe um imaginário coletivo muito focado nos fogachos, mas a menopausa é um processo biológico amplo. Fadiga, alterações cognitivas leves, mudanças na pele e no metabolismo também fazem parte do quadro. Cada organismo reage de forma singular”, destacou.
Ele reforça que o acompanhamento médico é fundamental, mesmo quando os sintomas parecem toleráveis.
“A mulher não deve normalizar o sofrimento. Há estratégias terapêuticas, hormonais ou não, que podem melhorar significativamente a qualidade de vida. O mais importante é avaliar cada caso de forma individualizada, considerando histórico clínico, fatores de risco e expectativas da paciente”, orientou.









