Fábia Oliveira

Quem foi Valentino Garavani, ícone da moda que morreu aos 93 anos

Estilista italiano consolidou um estilo marcado pelo glamour, luxo e influência duradoura na alta-costura internacional

atualizado

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O mundo da moda perdeu nesta segunda-feira (19/1) um de seus principais representantes. Valentino Garavani morreu aos 93 anos, em Roma.

A informação foi confirmada por meio de um comunicado divulgado pela Fundação Valentino Garavani e Giancarlo Giametti, instituição ligada ao legado do estilista e à preservação de sua obra.

Quem foi Valentino Garavani

Ao longo de décadas, Valentino construiu uma trajetória que o colocou entre os grandes nomes da alta-costura do mundo. Seu trabalho foi determinante para consolidar uma estética associada ao luxo, à delicadeza e ao romantismo, elementos que passaram a compor uma imagem amplamente reconhecida da moda italiana no cenário internacional.

Publicações especializadas como Harper’s Bazaar e W Magazine destacam o papel do estilista na formação de uma noção contemporânea de elegância ligada ao país.

As criações assinadas por Valentino tornaram-se presença constante em eventos de grande visibilidade, especialmente em cerimônias de tapete vermelho e celebrações da alta sociedade.

Esse reconhecimento ajudou a estabelecer um padrão visual que atravessou gerações e manteve sua influência mesmo diante das transformações do mercado e das tendências ao longo dos anos.

Vida e carreira

Nascido em 1932, na cidade de Voghera, no norte da Itália, Valentino demonstrou desde cedo interesse pela moda. A decisão de seguir a carreira foi influenciada pelo impacto estético dos figurinos vistos em produções clássicas de Hollywood, que despertaram sua atenção ainda jovem.

Apesar dessa inspiração inicial ligada ao cinema, foi na França que ele construiu sua formação técnica, etapa fundamental para o desenvolvimento da linguagem que mais tarde marcaria sua obra.

O retorno de Valentino à Itália marcou um ponto decisivo em sua trajetória profissional. Em 1959, já estabelecido tecnicamente, ele instalou seu ateliê em Roma, na Via Condotti. Pouco tempo depois, o encontro com Giancarlo Giammetti redefiniu os rumos da marca.

A parceria, que se estendeu ao campo pessoal e empresarial, foi responsável por estruturar a maison que ganharia projeção internacional a partir do início da década seguinte. A apresentação realizada em 1962, no Palazzo Pitti, em Florença, colocou definitivamente o nome Valentino no circuito do luxo e abriu caminho para encomendas vindas de fora da Itália.

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Formação francesa e rigor técnico

Antes desse reconhecimento, o estilista havia construído uma formação sólida em Paris. Ele passou por instituições como a École des Beaux-Arts e a Chambre Syndicale de la Couture, além de atuar como aprendiz em casas consagradas, entre elas as de Jean Dessès e Guy Laroche. Essa etapa foi determinante para o domínio técnico que se tornaria uma das marcas centrais de sua produção.

A linguagem estética desenvolvida por Valentino passou a ser identificada pela imprensa especializada por uma feminilidade elaborada, com forte apelo visual, mas sem excessos. Linhas precisas, tecidos leves como o chiffon, além de elementos recorrentes como laços, flores e o jogo entre preto e branco, compuseram um repertório reconhecível ao longo de sua carreira.

Entre esses códigos, um se destacou de forma singular. O chamado “Valentino red” (“vermelho Valentino”) ultrapassou o status de simples escolha cromática e se consolidou como símbolo de glamour associado à noite e a uma figura feminina idealizada, descrita pela crítica como simultaneamente forte e delicada.

A compreensão dessa imagem feminina foi resumida pelo próprio estilista no documentário “Valentino: The Last Emperor”. “Eu sei o que as mulheres querem: elas querem ser bonitas”, afirmou na produção, sintetizando a filosofia que orientou sua obra.

O legado após a aposentadoria

Essa leitura da elegância fez de Valentino uma referência entre mulheres influentes do cenário internacional. Ao longo dos anos, suas criações vestiram personalidades como Jackie Kennedy Onassis, Elizabeth Taylor, Sophia Loren e integrantes da realeza europeia, reforçando a associação da marca com o jet set global.

Paralelamente à consolidação da grife, o próprio modo de vida do estilista contribuiu para a construção do mito em torno da figura do couturier.

Cercado por eventos sociais, residências históricas e viagens em iates, Valentino ampliou o alcance da maison para linhas de prêt-à-porter e acessórios, mantendo a narrativa de exclusividade e sofisticação.

Mesmo após sua saída das atividades criativas, o legado deixado por Valentino continuou a orientar os rumos da marca. Diretores criativos como Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli assumiram a responsabilidade de reinterpretar esse repertório estético, promovendo atualizações que dialogaram com novas gerações sem romper com os códigos estabelecidos pelo fundador.

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