
Andreza MataisColunas

Spoiler: Não tem político pelado nos vídeos da CPMI do INSS
Arquivos acessados sob forte controle se limitaram a registros da vida privada de Vorcaro, a mãe de seus filhos e sua namorada
atualizado
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A CPMI do INSS foi criada para investigar o esquema de desvio de dinheiro de aposentados e pensionistas. Em meses de trabalho, avançou mais do que a Polícia Federal nas investigações.
No mês passado, com muito esforço, conseguiu aprovar a quebra dos sigilos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O banco é suspeito de conceder empréstimos consignados sem o consentimento dos clientes. É por essa razão que Daniel Vorcaro foi parar na CPMI do INSS.
Montou-se toda uma operação. Senadores e deputados integrantes da CPMI e seus assessores tiveram que deixar os celulares do lado de fora; o acesso a cópias foi vedado e, para consultar os arquivos, era preciso ir a uma sala reservada.
Quem se debruçou sobre o material, contudo, não encontrou uma linha sequer que contribua com a investigação.
Sem contexto adequado, é difícil dizer se as fotos formais com políticos são meros encontros sociais ou parte de negociações pouco republicanas.
O computador em que as informações foram disponibilizadas não estava conectado à internet, para evitar vazamentos. Por isso, era impossível, por exemplo, abrir os e-mails de Daniel Vorcaro armazenados no celular.
O que se viu ali foram cenas da intimidade de Vorcaro com sua ex-mulher e sua então namorada. Não há fotos ou vídeos de políticos em festas, nus ou acompanhados de garotas de programa, como se propaga a todo momento em Brasília, na Faria Lima e nas mesas de bar.
Mais uma vez, a única informação relevante do material compartilhado é a vida pessoal do banqueiro — desta vez, com direito a vídeos de sexo explícito dele, ao que tudo indica, consentido com mulheres adultas com quem se relacionava. Uma, a mãe de seus filhos. A outra, sua então namorada. Novamente mulheres expostas.
Precisou o Metrópoles revelar o conteúdo para que o ministro André Mendonça, relator da investigação no Supremo, determinasse o lacre do material e encerrasse a sessão — um “cineminha” digno de Framboesa de Ouro, sem qualquer utilidade pública.






