A chapa quente de uma “elite” funérea

A hora do espanto diante da frieza de empresários bolsonaristas, como Roberto Justus, Junior Durski e Luciano Hang

atualizado 25/03/2020 21:21

Some o desprezo do publicitário Roberto Justus com o esnobismo do empresário Junior Durski (dono do Madero) e você tem aí, por baixo, 19 mil mortes de velhos pelo coronavírus. O que é isso diante de uma chapa de hambúrguer fumegante ou de uma campanha supimpa de publicidade & propaganda? O que importa é que a economia esteja bombando – mesmo com o pibinho do presidente destes dois célebres e “jovens” eleitores.

Incrível o sentimento da “elite” do bolsonarismo diante da desgraça alheia. E repare que citei apenas dois dos seus mais exaltados representantes. A escolha deste cronista obedeceu a um critério: ambos se atreveram a fazer contas, como quem põe ketchup e maionese em um sanduíche, sobre o número de vítimas.

É o mesmo pensamento do sr. Paulo Guedes e equipe. Na hora da tragédia anunciada, piedade com banqueiros e empresários e arrocho até o gogó dessa gente gulosa que consome tudo e não sabe poupar – como o ministro da Economia definiu os pobres do Brasil. Que ralé cronicamente inviável e mal-educada!

Agora a conta cresceu, some o desprezo do Roberto Justus, o esnobismo de Junior Durski, o escracho de Luciano Hang (“Véio da Havan”, no dicionário folclórico do bolsonarismo) e o nojinho do Guedes. Passe a régua e repare que não passa de noves fora nada.

E para não fugir ao espírito musical desta coluna, fica na vitrola a trilha da semana: banda Titãs, precisamente do disco mitológico “Cabeça Dinossauro”. Solta o vinil, DJ:=

“Bichos escrotos/ Saiam dos esgotos/ Bichos escrotos/ Venham enfeitar/ Meu lar, meu jantar/
Meu nobre paladar!”

* Este texto representa as opiniões e ideias do autor.

Últimas notícias