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Está disponível na Globo Play a minissérie A Very English Scandal (Um Escândalo Muito Inglês), baseada em um caso real. Em apenas três episódios, acompanhamos de forma bem divertida a forma sórdida e hipócrita com que geralmente a política trata a homossexualidade.

Jeremy Thorpe (Hugh Grant) é um político solteirão com fortes chances de ser eleito primeiro-ministro. Ele vive tranquilamente seus casos com rapazes, num tempo no qual ser gay ainda era crime na Inglaterra. Por volta dos anos 1960, ele tem um relacionamento com Norman Josiffe, um homem para quem chega a montar uma casa. A relação dura alguns anos. Norman é um tanto perturbado e, volta e meia, reaparece na vida de Jeremy, sempre da pior forma possível. Logo, o agente público conclui que o amante precisa ser morto.

Durante o planejamento, a execução e todo o escândalo que vem a público quando tudo é descoberto pelos jornais, passeamos por uma sociedade inglesa que não estamos acostumados a ver. Polícia corrupta, o pavor pelo crime de sodomia e um sistema político tão infestado de homofóbicos quanto de gays hipócritas.

Os ingleses são muito bons em transformar péssimas notícias em ótimas piadas. Pois é isso que a série faz muito bem. Por meio dessa história, vemos como a política e políticos costumam tratar os homossexuais. Ou eles lhes servem para expurgar os desejos “sujos”, sendo pessoas descartáveis, inclusive para terem suas vidas eliminadas; ou são vistos como plataformas para atrair votos conservadores quando é conveniente.

E Norman desponta, quando ninguém esperava, como a terceira via. Porque depois de anos, a homossexualidade deixa de ser crime naquele país, e a principal vítima pode ganhar aura de herói. Não nos moldes tradicionais, mas ainda vitorioso.

Ao ver essa série, pensei bastante sobre os homossexuais da nossa política. Semana passada alguém lembrou que, antes de Jean Wyllys, Clodovil foi o primeiro parlamentar abertamente gay, mesmo que não agrade a alguns. Então, o seriado pode nos fazer pensar tanto sobre Douglas Garcia quanto David Miranda.

Douglas Garcia (PSL) é deputado estadual por São Paulo. O jovem, que está no primeiro mandato, envolveu-se em grande polêmica ao falar que bateria em uma transexual que usasse “o mesmo banheiro de sua sua mãe”. Após a repercussão negativa, o político declarou ser gay e, ao mesmo tempo, contrário ao movimento LGBT.

O final do escândalo é previsível. Entretanto, o seriado termina de maneira bastante surpreendente e animadora. Às vezes, os ventos da política estão soprando para o lado dos que têm coragem, mais até dos que têm força. E se os poderosos não sangram visivelmente, com certeza saem dessas batalhas com algo mortalmente ferido: o orgulho.



 


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