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A final da Copa do Mundo da Rússia é só dia 15 de julho, mas a decisão do maior torneio mundial LGBT ocorreu em 28 de junho. Nesse dia, foi ao ar o último episódio da 10ª temporada de RuPaul’s Drag Race e um bar de Brasília resolveu transmiti-lo ao vivo, igual a uma partida de futebol.

Eu não estou dizendo aqui que todo LGBT deve gostar de RuPaul, afinal, nem todo hétero gosta de futebol. Afirmo apenas que suas repercussões se equivalem, cada um dentro do seu nicho. Falando nisso, eu assisti ao lado de um amigo hétero.

Imagina o que foi, depois de quase 20 dias de conjuntivite, sem conseguir ver direito qualquer coisa, enxergar nitidamente a transmissão de Drag Race?! Momento único na vida de alguém.

O evento aconteceu no Campinense (410 Norte), mas não foi exatamente organizado pelo bar. O estabelecimento cedeu o espaço para a comemoração e o público compareceu em peso. Era emoção de verdade.

O pessoal adora falar: “É fácil juntar um monte de veado pra ver RuPaul, mas, se fosse para algo realmente sério, ninguém iria”. Porém, quem fala isso não viu o programa. Nesta temporada, todas as provas tiveram um cunho político e, para os desatentos, Ru dava a mensagem diretamente. Teve a presença de congressistas e até uma fala explícita: “Inscrevam-se e não deixem de votar!”

“Por que vocês, gays, não dominam a política brasileira? Cara, olha essa força que vocês têm!”, questionou um amigo hétero, muito espantado com a capacidade de mobilização dos LGBTs.

Independentemente do resultado (RuPaul ladrona), o ambiente era de torcida, rivalidade e muito carinho. Todo mundo ali parecia entender o significado de se estar lá e que aquilo era importante para todos. A gente se apertava, dava lugar, abria espaço para que todo mundo tivesse a chance de ver da melhor forma possível, dentro das limitações espaciais.

— Cara, quando vocês torcem, é tão grosso quanto os caras com futebol – questionou um HT, com “grosso” não se referindo ao timbre de voz, mas à paixão dos gritos das torcidas.

Aliás, quando a torcida de uma finalista gritava, a outra respondia, e a coisa só parava no momento em que alguém puxava a única unanimidade: MISS VANJIE! Falando nisso, explicar para o hétero o significado dessa personagem foi das melhores partes da noite: eu não dei conta sozinho e precisei da ajuda de mais três pessoas.

Reprodução

Vanessa Vanjie Mateo, também conhecida como Miss Vanjie

 

“Então, vai começar a semifinal”, falei, quando ia começar o primeiro lip-sync.

Um gatinho sentado na nossa frente se virou, achando graça da palavra “semifinal”. Eu apontei na direção do meu amigo e expliquei: “Preciso contextualizar o programa para o hétero”. Então, ele me lançou um olhar condescendente, como quem expressa: “Te entendo, amiga”.

A noite terminou com todo mundo falando que o evento deve acontecer novamente, com TODOS os episódios da próxima temporada. Can I get an amen up in here?!



 


RuPaul's Drag Race