Quem Tem Medo de Travesti?: espetáculo mistura realidade e performance

Em turnê pelo Nordeste, obra do coletivo As Travestidas depende de financiamento coletivo on-line para bancar temporada no Rio de Janeiro

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atualizado 14/05/2019 15:25

“A travesti é um centauro urbano”. Essa frase de exatidão poética é uma das falas de Quem Tem Medo de Travesti?, novo espetáculo do coletivo cearense As Travestidas que acaba de iniciar uma turnê por algumas capitais do Norte e Nordeste do país.

O grupo teve o projeto Travestis Itinerantes aprovado pelo edital Rumos Itaú Cultural. As apresentações começaram em Teresina, no Piauí, e passarão ainda por São Luís, Belém, Imperatriz e Palmas. Em algumas cidades, além do espetáculo, o grupo promoverá oficinas.

A dramaturgia é de autoria de Jezebel de Carli e Silvero Pereira (autor do belíssimo BR-Trans). Aliás, a estrutura do QTMT é muito parecida com a dela: texto dialogando com música, dança, depoimentos reais e referências artísticas. Para quem se interessar, BR-Trans está disponível integralmente no YouTube e seu texto está à venda pela Editora Cobogó.

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Espetáculo é realizado pelo coletivo cearense As Travestidas e tem rodado por estados do Nordeste

 

As diferenças: Silvero fazia tudo sozinho no palco e, agora, seis beldades dão vida a essas meninas. Outra mudança é que, em BR-Trans, o tema principal era a vivência da travestilidade como um todo e, como o próprio nome já avisa, na peça desta turnê, o sentimento do medo impera, mas o medo nos dois sentidos do vetor.

Ao longo do espetáculo, você nunca sabe quem, quando ou como uma delas será abatida. Nem a reação após a consumação do ato. A frase mais dita pela plateia, ao sair do teatro, foi: “Eu ri e chorei não sei quantas vezes”. Mas esse efeito só é possível pela qualidade artística daqueles que estão no palco.

Mulher Barbada, dona de uma voz que eu ouviria a noite inteira; Diego Salvador, capaz de criar toda empatia só com o movimento do seu corpo; Patrícia Dawson, Denis Lacerda e Italo Lopes, superengraçados; e a incrível Verónica Valenttino, que é vocalista da banda Veronica Decide Morrer.

O coletivo As Travestidas faz um trabalho bastante consistente artisticamente sobre o debate da vida trans. Além de Silvero, que participou da novela A Força do Querer e está em Bacurau, novo filme de Kleber Mendonça Filho, foi desse grupo que saiu ninguém menos que Jesuíta Barbosa, que volta e meia se apresenta com elas de novo.

Depois da turnê, o grupo aporta no Rio de Janeiro, onde ficará para uma temporada de dois meses. Mas, para que isso se realize, eles precisam de ajuda. Foi aberta uma vaquinha virtual e você pode contribuir com o projeto. Nesses momentos de corte total de verbas da cultura e educação, a população é a principal aliada dos artistas.

Agenda especial
Em 17 de maio, é celebrado o Dia Internacional de Luta contra a LGBTfobia, em referência à luta pelos direitos LGBT e ao dia em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) deixou de considerar homossexualidade uma doença. Para celebrar a data, será realizada a UnB Drag Race, uma competição de drag queens inspirada em RuPaul’s Drag Race com prêmios para as vencedoras. Será no dia 16 de maio, às 12h (o camarim do Anfiteatro 9 estará liberado para a montação a partir das 10h).

A Andaime Cia. de Teatro foi convidada para a programação da Quadrienal de Praga – PQ com o SQF Carnaval Silencioso. Esse é um dos maiores eventos de Performance, Política e Arte do mundo. Eles contavam com as políticas de internacionalização do DF e do país – no entanto, estão extintas. Quem puder ajudar, o link da vaquinha virtual é esse aqui. É muito importante que a gente dê nosso apoio aos artistas da cidade!

SOBRE O AUTOR
Ítalo Damasceno

Formado em direito pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Escreveu sobre cultura em portais do Distrito Federal. É roteirista e já fez curso com o novelista Aguinaldo Silva. Recebeu o prêmio Beijo Livre de Direitos Humanos LGBT 2017 na categoria Mídia, pela coluna Vozes LGBT.

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