Ajudar a Casa Rosa é um ato de resistência ao obscurantismo

A instituição de São Paulo conseguiu recursos para se manter ativa: porém, em outras cidades a situação é diferente

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atualizado 15/03/2019 20:25

A coluna desta terça (19/3) ia ser sobre um assunto, mas, graças à força de pessoas incríveis, vamos falar sobre outro assunto. A Casa 1, local de acolhimento a LGBTs na cidade de São Paulo, estava fazendo uma campanha para fechar suas contas de 2019 e encerrar suas atividades. Com poucos dias de ação, ela atingiu 100% do valor necessário para funcionar em 2019 e 2020.

Para quem não conhece, a Casa 1 é um projeto do jornalista Iran Giusti criado em 2016. “Nossa missão é acolher pessoas LGBTs em situação de risco e criar um espaço para criação, troca de ideias e tudo mais que a gente quiser pensar juntos”, descrevem os participantes. Ela pode não ter sido a pioneira, mas certamente conquistou maior visibilidade pelo país e inspirou o desenvolvimento de novas instituições neste modelo nas demais cidades, como em Brasília.

A captação da ONG é feito por meio de doações pessoais, financiamentos coletivos e patrocínios de empresas parceiras. Todos os serviços prestados são gratuitos. Segundo Giusti, o custo mensal é de cerca de R$ 45 mil. Porém, nos últimos tempos, o local estava precisando de doação até mesmo de arroz e feijão e de material de higiene pessoal.

O projeto atualmente abriga fixamente 20 pessoas de 18 a 25 anos e acolhe 41 crianças. Oferece aulas de inglês, espanhol, costura, canto e yoga para 300 pessoas por mês, além de fornecer atendimento psicoterápico para cerca de 70 pacientes.

Quando chegou a mim a informação de que a Casa 1 iria fechar, lamentei profundamente. No entanto, ao buscar informações sobre como estava a campanha, eu me deparei com a notícia de que a comunidade havia se mobilizado e as doações já cobriam 99% da meta. Iran tem feito o pedido de colaboração no esquema: prefiro 10 pessoas doando R$ 10 do que uma pessoa fornecendo uma grande quantidade. Pois, assim, a rede se torna maior. Foi isso que aconteceu.

Comparo esta ótima notícia com a da semana passada, no texto sobre o Carnaval. Neste tempo em que o obscurantismo tenta se fazer mais forte, mais a comunidade se mobiliza e lhe responde com ações positivas e afirmativas. “É na noite mais escura que os vagalumes brilham mais fortes”, pensamento repetido pelo sempre visionário João Silvério Trevisan parece definir com exatidão o caminho da resistência.

Para garantir o funcionamento da Casa 1, quem ainda quiser doar ou se tornar um assinante (lembrando que a partir de R$ 10 já está valendo), aqui está o link. Mas se lembre também de ver se na sua cidade tem um projeto como este (em Brasília temos, como exemplo, a Casa Rosa, o Instituto LGBT+ e a Casa Frida), pois ele também precisa de você.

SOBRE O AUTOR
Ítalo Damasceno

Formado em direito pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Escreveu sobre cultura em portais do Distrito Federal. É roteirista e já fez curso com o novelista Aguinaldo Silva. Recebeu o prêmio Beijo Livre de Direitos Humanos LGBT 2017 na categoria Mídia, pela coluna Vozes LGBT.

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