A peça Eu Sempre Soube debate a relação entre mães e filhos LGBTs

O espetáculo é baseado em relatos de famílias sobre o momento da revelação sexual

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atualizado 02/07/2019 10:50

Qual é a reação de uma mãe quando o fruto do seu ventre lhe conta que é gay, lésbica ou transgênero? “Eu sempre soube” pode ser a resposta. Essa frase é o título de uma peça teatral, com a missão de investigar os corações maternos quando postos diante dessa situação.

Estrelada pela sempre carismática Rosane Gofman, com texto e direção de Márcio Azevedo, o título faz referência à frase mais ouvida da boca dessas mulheres ao longo das entrevistadas realizadas para que a peça fosse escrita.

Rosane interpreta Majô, jornalista de 55 anos, com boa formação intelectual, que está lançando o primeiro livro, uma coletânea de depoimentos maternos. A personagem também é uma delas. Seu filho, Mateus, saiu do armário. Mesmo antes da vivência familiar, a mulher recebeu uma caixa contendo relatos de mães e filhos, além de notícias sobre como os LGBTs são tratados há anos pela sociedade.

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Majô, como jornalista isenta, discorre as histórias para tentar formar uma colcha de retalhos de experiências humanas. Entretanto, fora a frase “eu sempre soube”, quase não há pontos em comum entre as histórias, nem como prever qual será a reação de cada uma delas. Mães de boa condição financeira, educadas nas melhores escolas e de famílias amorosas, são extremamente violentas e intolerantes com suas crias.

Mães das mais baixas classes sociais, frequentadoras das igrejas mais homofóbicas e reprimidas pelos maridos, levantam-se em defesa de seus filhos e os acompanham nas cirurgias de redesignação sexual. É o tipo de coisa que não dá para prever e, por isso, é tão importante olhar esses relatos com calma.

Relatos

Mas a jornalista vai do frio relato coletivo até a acalorada reflexão íntima. E, neste momento, não tem vivência de 9 anos na Europa nem trabalho num meio permissivo como a TV que seja capaz de oferecer uma explicação. Só existe uma mãe e um filho, juntos, tomando uma decisão necessário para o futuro de ambos – com suas consequências. Por vezes, a decisão pelo rompimento traz, um tempo depois, arrependimento, dor e culpa pelo resto da vida.

A peça é uma grande homenagem às mães e ao Mães pela Diversidade, importante órgão de apoio aos LGBTs. É sensacional uma organização formal baseada no amor materno dar apoio individual e institucional à luta contra o preconceito.

“Eu sempre soube” estreia dia 5 de julho e fica em cartaz até o dia 28, no teatro Dulcina, Rio de Janeiro, sempre às 19h.

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Agenda

– Estreou a peça Stonewall 50 – Uma Celebração Teatral, estrelada pelo ator Thiago Mendonça. A partir da história e de experiências pessoais, próprias da linguagem do teatro documentário, a peça recupera a trajetória de luta pelos direitos civis das pessoas LGBTQI+ nos Estados Unidos e no Brasil. De 28 de junho a 27 de julho, sextas e sábados às 23h30, no teatro dos Satyros, em São Paulo

– Dia 7 de julho vai ter a 6ª Parada do Orgulho LGBT do Cruzeiro/ Octogonal /Sudoeste. Ela acontecerá a partir das 14h e se reunirá ao lado da praça do Cruzeiro Memorial JK

SOBRE O AUTOR
Ítalo Damasceno

Formado em direito pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Escreveu sobre cultura em portais do Distrito Federal. É roteirista e já fez curso com o novelista Aguinaldo Silva. Recebeu o prêmio Beijo Livre de Direitos Humanos LGBT 2017 na categoria Mídia, pela coluna Vozes LGBT.

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