*
 
 

Joga na minha cara todos esses relatos de LGBTfobia, assédio e violência gratuita? Você vai mesmo me fazer ver o metrô manchado com sangue? Vai me forçar a encarar o gatinho, que eu tinha visto no início do bloco, voltando para casa de olho roxo? Vai me deixar saber da mina deixada praticamente morta?

Choveu tanto naquele sábado, que foi difícil sair de casa. Mas o povo estava na rua, brincando o Carnaval. E ainda tinha folião zoando o frio, cantando os versos “tomara que chova três dias sem parar”. Haja cachaça para aguentar aquelas temperaturas.

No sábado anterior, no mesmo Setor Comercial Sul, a festa foi muito boa. Pelo menos deu maior sensação de segurança. E é daí que eu não paro de me perguntar: alguém sai de casa disposto a fazer confusão? A bater, xingar ou matar? E esse espírito de porco não é um só, mas vários.

O que passa na cabeça de uma pessoa dessas? O que leva uma garota, ao se ver protegida por trogloditas, apagar um cigarro na cara de um gay? Ou um bando de “machos” cercarem um casal de homens, baterem neles até que caiam no chão e, em seguida, quebrar uma garrafa na cabeça dos jovens?

 

O que motiva esses intolerantes a irem para um bloco declaradamente LGBT? A gente até tenta não colocar tudo na conta do ódio gratuito e da certeza da impunidade, mas, convenhamos, fica difícil diante dos fatos.

Mas, olha, o lado de cá também está organizado. Na ausência de políticas públicas e inspirados por ações semelhantes as de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, fotógrafos, designers, produtores, cineastas e artistas brasilienses formaram um coletivo e criaram a campanha #foliacomrespeito, uma iniciativa independente financiada pelos Blocos de Rua de Brasília.

Para maiores informações sobre a campanha, incluindo vídeos e imagens, veja a página deles no Facebook. Importante frisar que a campanha foi construída não visando a retaliação à violência, mas a atenção com o atendimento da vítima.

Nesta terça-feira (6/2), há a programação de uma reunião da Secretaria de Segurança Pública com os blocos da cidade. A campanha de “segurança foliã” tem como estratégia educar o público com a técnica do “escracho”, para que os agressores sejam expostos de forma verbalizada.

“Queremos educar o público a, quando for agredido ou presenciar agressões, gritar ‘agressor’ repetidamente e que todos em volta repitam. Isso o inibe e faz com que ele se retire. Ou então, faz com que os gritos cheguem ao palco, onde podemos acionar a polícia e a segurança com mais agilidade. As atrações estão instruídas a parar o som toda vez que uma hostilidade for vista ou ouvida e também chamar a polícia pelo microfone”, diz Mari Mira, produtora do Essa Boquinha eu Já Beijei e Tuthankasmona – dois blocos LGBTs.

Nos perfis dos blocos no Facebook têm dicas para todos brincarem com segurança no Carnaval. Eu destaco: evite andar sozinho (a) e, se houver alguma violência, ligue para o Decrin no número de emergência 180. É importante denunciar na delegacia especializada, para que seja contabilizado como crime de intolerância.



homofobiacarnaval 2018
 


COMENTE

Ler mais do blog