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Aprender depende de ordem e de método. Existem etapas no “processamento de informações” que cada parte do conteúdo programático precisa passar para potencializar o entendimento e a memorização, essenciais na hora da prova. Todas as vezes que o concurseiro estuda de maneira aleatória, corre o risco de deixar passar detalhes importantes e guardar menos.

O fluxo de estudo é um desses métodos e se divide pelas etapas de teoria, fixação, avaliação, controle de resultados e revisão. Cada uma delas requer do candidato uma postura ativa, dedicada e concentrada para se transformar no resultado desejado: uma boa nota nas avaliações e, por consequência, a aprovação.

Nenhuma das fases é novidade. Desde os primeiros anos da escola, os professores primários repetem o mesmo modelo: apresentam o conteúdo com aulas expositivas com apoio dos livros (e, às vezes, de outros recursos) – teoria –, os alunos anotam nos cadernos, praticam exercícios em sala de aula e nas tarefas de casa – fixação – e, depois de algum tempo, são aplicadas as provas – avaliação –, com reforço do conteúdo antes e depois – controle de resultado e revisão.

Adaptado à realidade dos aspirantes ao serviço público, que têm um alto volume de informações para aprender e entender, o método se torna eficiente a partir do momento em que nenhuma etapa é pulada. Para entender melhor, aqui estão cada um dos passos.

Passo um – A teoria
Diversas são as formas de ter acesso à teoria: aulas presenciais, telepresenciais, em texto, em vídeo, apostilas, livros. Não faltam opções, o desafio é escolher o que mais se adequa ao canal de aprendizagem dominante: visual, auditivo ou cinestésico. Para descobrir, basta uma pesquisa na internet para realizar o teste.

O perfil clássico das escolas supervaloriza o visual com o quadro negro, livros e demais materiais impressos. Também há reforço nos aspectos auditivos, com as explicações dos professores e os debates, ficando mais carente de recursos as situações cinestésicas, que dependem de uma perspectiva mais lúdica e dinâmica.

Passo dois – A fixação
Uma postura ativa também é determinante. Assistir às aulas ou videoaulas passivamente, sem qualquer anotação, só é mesmo indicado a quem é auditivo, ainda assim, em razão do grande volume de conhecimento cobrado, é algo a se repensar.

O recomendando, em especial para o que pode ser acessado mais de uma vez, como os vídeos e os livros, é ver o conteúdo uma vez, mais rápido – com acelerador ou técnicas de leitura mais rápida – para ter uma noção do todo, para, então, repetir o processo, agora mais lento e, só então, registrar o que for mais relevante.

A fixação com anotações também abre um leque de possibilidades: resumos, fichamentos, esquemas, mapas mentais. O formato é menos relevante que a prática e o acesso futuro, na revisão.

Terminado o tópico, ou parte dele, é hora de saber como o assunto é cobrado em questões de provas anteriores. Aqui, os bancos de questões em livros e sites são as ferramentas mais adequadas, pois possibilitam filtrar conforme a banca organizadora, o nível de escolaridade do cargo desejado e de dificuldade de cobrança. Bastam de três a cinco questões para essa parte.

Passo três – A autoavaliação
Aqui está uma etapa que poucos concurseiros aproveitam: a autoavaliação. Trata-se da elaboração e resolução de simulados periódicos montados a partir do que foi estudado em determinado período de tempo. Sejam semanais ou quinzenais, permitem que seja feito um controle do principal resultado, os acertos das questões.

Os simulados com duas a três questões de todos os tópicos de um edital, de cada disciplina (e com os mesmos filtros da etapa de fixação), funcionam como “teste de nível”, ideais para retomada dos estudos depois de um tempo parado ou para avaliar a competitividade para uma potencial prova diferente da que se está sendo preparado.

Realizar simulados depois de alguns dias em que se estudou o conteúdo é mais efetivo para testar o aprendizado e identificar deficiências e dúvidas.

Passo quatro – Controle de resultados
Resolvidos os simulados, é hora de corrigir com uma perspectiva crítica, identificando as dúvidas que resultaram em chutes, erros por distração ou quando o aprendizado ficou aquém do esperado. É uma ação que raros candidatos se dispõem a executar, pelo receio de conhecer o andamento de sua preparação.

A coragem vem com a oportunidade de melhorar a clareza do que está na memória e de saber o que precisa ser reforçado, seja superficial ou profundamente. Também é quando as anotações são colocadas à prova, bem como os materiais escolhidos para ter acesso à teoria. É hora de colocar os pés no chão e ter controle do direcionamento de tamanho investimento.

Passo cinco – Revisão
Ao contrário do que muitos acreditam, revisar não é ver todo o conteúdo novamente. Agir assim é determinar um trabalho que ficará sempre inacabado pelo tédio que a atividade proporciona. Revisar é reforçar o que precisa ser reforçado, na profundidade identificada pela realização dos simulados.

De posse do relatório do controle de resultados, a revisão começa primeiro pelas anotações, depois por seu complemento e atualização e, se necessário, nas fontes primárias da teoria. Dessa maneira, será possível, inclusive, saber com mais precisão o que esperar do percentual de acertos à véspera da prova.

Todo o processo leva tempo e nenhuma etapa pode ser ignorada ou pulada, por isso, o estudo com antecedência é essencial para viabilizar um aprendizado consistente que garantirá muito mais segurança no momento das provas.



 


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