Dicas para os concurseiros enfrentarem a temida avaliação psicológica

Etapa identifica candidatos que estão alinhados com perfil esperado dos cargos e os declara aptos ou não. Saiba como se preparar

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atualizado 16/10/2018 17:46

A subjetividade das avaliações psicológicas mexe profundamente com o emocional dos concurseiros. Passadas as provas teóricas e, a depender do concurso, físicas, é hora de saber se o candidato tem ou não o perfil de habilidade e competências desejados para exercer o cargo.

Sem poder “treinar” – da mesma forma que pode ser feito para outras fases dos certames –, a ansiedade e a insegurança transbordam e, às vezes, no desespero, a solução encontrada é buscar dicas na internet ou profissionais que oferecem a possibilidade de preparar para os testes.

Em geral, a avaliação psicológica tem três etapas principais: entrevista individual, testes psicológicos (de personalidade e de inteligência) e dinâmica de grupo. O objetivo é apurar o perfil do candidato e comparar com o perfil desejado para o exercício do cargo. Ou seja, o conjunto de características fundamentais para execução das atribuições.

Algumas habilidades e competências esperadas são cordialidade, responsabilidade, motivação, comunicação, empatia, tomada de decisão, equilíbrio emocional, disciplina e a resiliência, entre outros. Também são aferidos aspectos como memorização, atenção, flexibilidade e a concentração. Por isso mesmo, obedecer às instruções do avaliador é essencial para executar cada tarefa da melhor maneira possível, sem deixar de mostrar quem se é.

É nesse ponto do processo seletivo que se comprova a diferenciação entre os concursos. Alguns concurseiros buscam se preparar para mais de um edital ao mesmo tempo, baseados nos pontos comuns do conteúdo programático, e se esquecem de que tanto as atribuições quanto o perfil laboral são diferentes. Ainda nas provas objetiva e discursiva, as disciplinas podem ser exigidas com níveis diferentes de profundidade e interpretação.

Regras e ética
Os parâmetros, as regras e os testes psicológicos aplicados seguem resoluções elaboradas pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP), que proíbem qualquer possibilidade de treinamento prévio. Isso quer dizer que se um profissional da área oferecer esse tipo de serviço estará cometendo um ato antiético e poderá perder sua licença de atuar como psicólogo.

As bancas organizadoras contam com uma equipe de profissionais credenciados aos conselhos que escolhem quais testes serão aplicados, especificando objetivos, condições de avaliação e características psicológicas exigidas pelo cargo em questão.

Experiência prévia
Mesmo que exista experiência prévia ou algum tipo de “treinamento” específico, o candidato acabará por transparecer incoerências nas etapas do processo que irão denunciá-lo e tirá-lo da disputa. Ou seja, mesmo que se saiba quais respostas devem ser dadas nos testes, por exemplo, a tentativa de manipulação dos resultados será perceptível na entrevista e/ou na dinâmica de grupo.

A análise final é subjetiva, mas atende a parâmetros dentro de uma escala esperada, declarando o concorrente como apto ou inapto. Ainda assim a banca examinadora deve dispor do laudo e do resultado da entrevista para o caso de o candidato desejar recorrer administrativa ou judicialmente.

Para ser considerado apto, é necessário estar alinhado com as atribuições do cargo e tem a capacidade de atender aos aspectos emocionais desejados para as atividades. A descrição das atividades está sempre nos editais, apesar de poucos darem a atenção devida a esse ponto. O mesmo ocorre com a etapa de análise psicológica.

O que fazer
A impossibilidade de “estudar” para a avaliação psicológica não quer dizer que não há como se preparar para ela. Assim como há tanto empenho no aprendizado dos conteúdos e de outras etapas, o concurseiro deve estar atento à sua saúde mental.

Em outras oportunidades, falamos na coluna Vaga Garantida sobre ansiedade e inteligência emocional, aspectos imprescindíveis tanto durante a preparação quanto na capacitação para o exercício do cargo. O nível de autoconhecimento pode ser determinante para ser aprovado ou não.

Infelizmente, ainda é da cultura brasileira considerar que o trabalho do psicólogo é destinado exclusivamente a quem tenha transtornos, traumas ou desequilíbrios. O nervosismo, a insegurança e a vulnerabilidade durante a avaliação psicológica, muitas vezes, significam demonstração da falta de autoconhecimento, da dificuldade em falar sobre si mesmo e demonstrar como se relaciona em grupo, pontos explorados por um processo de psicoterapia.

Maturidade
Outro aspecto relevante é a maturidade do concurseiro em relação à escolha da carreira a que está concorrendo. Não é raro existirem candidatos que ainda estejam se vendo (e tento atitudes) como estudantes em vez de profissionais capacitados para o trabalho. Sem contar aqueles que não se consideram merecedores da conquista ou, ainda, que estejam passando pelo árduo processo de preparação motivados pela necessidade de atender expectativas de terceiros.

A cultura da robotização propagada no mundo dos concursos dificulta essas percepções mais humanas e afasta o futuro servidor do entendimento de suas emoções e suas qualidades. O excesso de racionalismo é considerado, inclusive, um autossabotador. E ignorar a necessidade de estar tranquilo e equilibrado alimenta outro, o esquivo.

SOBRE O AUTOR
Letícia Nobre

Jornalista especializada em concursos há mais de 10 anos. Desde 2012, ajuda candidatos de todo o país a lidar não só com suas emoções, mas também com o processo de organização, produtividade e aprendizagem usando técnicas de coaching.

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