Como conseguir pontos extras nas provas de concursos

Conheça os critérios mais comuns das avaliações de títulos e que comprovações são aceitas

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atualizado 17/07/2019 22:03

Todo ponto é decisivo para garantir a aprovação nos processos seletivos de servidores públicos. Uma diferença de décimos pode separar os nomeados de quem vai continuar na jornada. A avaliação de títulos é opcional, porém tem se tornado mais frequente nos concursos públicos mais cobiçados.

A comprovação da bagagem acadêmica e profissional atende ao propósito de selecionar os candidatos mais capacitados para as funções. Por essa razão, quem investiu mais tem seu reconhecimento em pontos que são somados aos resultados das provas objetivas e, eventualmente, discursivas.

Não existe um padrão de critérios que compõe a avaliação de títulos ou do valor atribuído a cada um dos itens. Cada banca organizadora, em acordo com as expectativas dos órgãos que receberão os servidores públicos, determina suas regras. Todos os documentos são reunidos e entregues pessoalmente ou via Correios. O prazo varia de dois a 15 dias para apresentação, e normalmente há mais dois dias para contestar o resultado.

Certificações acadêmicas

As certificações mais comuns são de complemento à formação exigida para os cargos de nível superior: especialização, mestrado e doutorado. A valorização de maior escolaridade acadêmica cresceu significativamente no serviço público. Nas últimas duas décadas, várias colocações que exigiam apenas o ensino médio passaram a ser exclusiva dos graduados. As posições de nível fundamental foram extintas e estão deixando de existir à medida que os ocupantes se aposentam. Em 1999, quem havia completado os estudos somente até a então 8ª série representava 11,06%, e só resta pouco mais de 1% nos quadros atuais.

Em compensação, houve um levante em prol da alta capacitação. Há 20 anos, apenas 3,61% dos servidores ativos tinham doutorado; hoje são 17,49%. De igual maneira, os mestrados eram 5,08% em 1999 e, agora, são 11,41%. Os especialistas não passavam de 6% e estão atingindo a marca de 14%.

Em algumas situações, especialmente para cargos de professores ou de patamar mais técnico-científico, as publicações de artigos, livros e outros escritos acadêmicos são valorizadas. Cursos livres, de aperfeiçoamento, formação continuada e pós-doutorado são menos comuns.

Experiências profissionais e de vida

O tempo dedicado ao trabalho, tanto na iniciativa privada como na pública, também tem valor em boa parte dos concursos. Cada ano completo validado por documentos aumenta a nota. Seleções abertas aos graduados em qualquer área usam mais esse recurso, como a Receita Federal e o Banco Central. Ainda assim, essa possibilidade tem valor menor que as capacitações universitárias.

O acúmulo de tempo no próprio serviço público provoca polêmica. Há histórico de processos seletivos que foram considerados fora da isonomia por atribuir peso a quem tivesse vínculo anterior (temporário ou não). Na maioria dos casos em que houve questionamento, o critério foi retificado para desfazer o privilégio.

Recentemente, em debate no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre a revisão da regulamentação que determina como selecionar os futuros magistrados, as entidades representativas destacaram a importância de apurar as habilidades e competências intra e interpessoais dos candidatos. Uma das alternativas consideradas é incluir itens na avaliação de títulos, como o exercício de atividades sociais que aproximem o aspirante à realidade que encontrará na rotina de trabalho.

Investimentos

Nenhum candidato é eliminado por não possuir títulos para apresentar, apenas deixa de aumentar suas notas e de ter a possibilidade de subir algumas colocações no ranking. Nos postos que pedem nível médio de escolarização, raramente há essa fase, exceto quando se trata de uma função técnica e a experiência profissional e certificações específicas – como na área de tecnologia da informação – são desejáveis.

A alternativa encontrada por concurseiros que não têm uma trajetória universitária ou profissional longa e elaborada é investir em cursos preparatórios de maior duração que oferecem um módulo complementar de especialização, seja na modalidade a distância ou presencial. O principal critério é atingir as 360 horas-aula características da formação e obter o certificado vinculado a uma instituição de ensino autorizada pelo Ministério da Educação.

Para encontrar quais outras capacitações são pertinentes para ganhar pontos, o indicado é pesquisar os editais anteriores dos concursos do cargo desejado ou procurar as bancas examinadoras para questionar os requisitos mais recorrentes. A partir da apuração, definir a estratégia de investimento que gere melhor custo-benefício.

Antes mesmo da etapa dessa triagem é possível melhorar a nota. Quando o gabarito preliminar das avaliações objetivas é publicado, há até dois dias úteis para apresentar recursos questionando a banca examinadora. Quando a argumentação contraditória é acolhida, as questões são anuladas e todos recebem a pontuação correspondente. De igual maneira ocorre com as provas discursivas, porém o resultado positivo da contestação é individual.

SOBRE O AUTOR
Letícia Nobre

Jornalista especializada em concursos há mais de 10 anos. Desde 2012, ajuda candidatos de todo o país a lidar não só com suas emoções, mas também com o processo de organização, produtividade e aprendizagem usando técnicas de coaching.

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