Crítica: Sabrina Parte 2 melhora a série, mas muito pouco

A atração da Netflix estreou no início de abril, e, apesar de receber críticas positivas na primeira temporada, ainda precisa evoluir

Diyah Pera/NetflixDiyah Pera/Netflix

atualizado 21/04/2019 15:32

Após perceber que seu produto nunca teria o mesmo apelo do terror de A Maldição da Residência Hill, o criador de O Mundo Sombrio de Sabrina, Robert Aguirre-Sacasa, pareceu ter descartado a ideia de uma série inspirada em O Exorcista e O Bebê de Rosemary. Pode ter perdido referências, mas o show melhorou.

Desta vez, Sabrina passa a se focar em sua magia, tornando-se muito mais poderosa. Fica clara a forte conexão entre ela e Lúcifer, que parece não hesitar quando o assunto é bagunçar a vida da jovem. Além disso, seus amigos mortais também devem lidar com a mudança dela com destino à Academia das Artes Ocultas. A jovem também luta contra a hierarquia patriarcal da Igreja da Noite ao mesmo tempo que busca enfrentar a dicotomia entre bem/mal.

Sabrina, após assinar o livro da Besta, se torna muito mais confiante em sua identidade como bruxa e mulher. Outro destaque é a personagem de Michelle Gomez, a Lilith/Prof. Wardwell, que também passou por um desenvolvimento de caráter rápido, necessário e envolvente. Como sempre, Miranda Otto e Lucy Davis destacam-se no papel das tias Zelda e Hilda, levando as personagens para um patamar muito mais elevado em comparação à primeira temporada.

No entanto, outros personagens como Faustus Blackwood (Richard Coyle) pioraram com o tempo – e não é só porque ele virou uma espécie de “Donald Trump satânico”. O novo enredo do “anti-padre” é tão repentino que acabei me perguntando se ele era um vilão tão horrível na primeira temporada. Porém, faz sentido ter um opressor tão forte para situar as falas feministas de Sabrina.

A atração é criada por duas mulheres, interagindo com, na maior parte do tempo, outras mulheres. Mesmo assim, os diálogos, que deveria ser inspiradores, dão a incômoda impressão de que os criadores do show estão tentando mercantilizar o feminismo. Talvez, se o time de escritores não fosse composto por três homens e uma mulher, as cenas soassem mais naturais.

 

A série brilha quando dá destaque aos personagens e suas escolhas independentes, ao contrário de tentar torná-los representantes de ideias ou movimentos diferentes. As identidades de cada um – sobretudo Ambrose (Chance Perdomo), como um homem negro bisexual, e Susie/Theo (Lachlan Watson), um homem trans descobrindo sua identidade pela primeira vez – são os elementos empoderadores do show. Não haveria necessidade de uma fala descrevendo o que estão sentindo quando a atuação pode fazer exatamente isso.

Outro destaque da segunda temporada é a construção do mundo mágico. Após se tornar estudante da Academia das Artes Ocultas, Sabrina conhece muito mais sobre magia e a instituição da Igreja da Noite, que funciona de maneira similar à Igreja Católica. Aprendemos que há um Anti-Papa, assim como um “Anti-Vaticano”, localizado diretamente embaixo do Vaticano. Esses detalhes dão muito mais contexto sobre as motivações e escolhas dos personagens, e deveriam ter sido introduzidos na primeira temporada. Antes tarde do que nunca.

Por fim, a relação de Sabrina com a dicotomia entre bem/mal e sua real linhagem como filha de Lúcifer fazem a história muito mais interessante. É aqui que descobrimos o real propósito de sua existência e o que ocorreu com seus pais. Temas apresentados no primeiro ano, porém, ignorados até então.

Avaliação: Regular

SOBRE O AUTOR
Clarice Rosa e Silva

Estudante de jornalismo no Centro Universitário de Brasília (UniCeub) e repórter de entretenimento e gastronomia no Metrópoles.

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