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O Brasil é o país do espanto. E não só em manchetes de jornais. Nos cinemas, a produção nacional contemporânea tem se notabilizado por uma intensa e numerosa quantidade de filmes de terror, entre curtas e longas de diversas regiões.

Talvez o grande público nacional, mais acostumado às atuais franquias de Hollywood, como Invocação do Mal, Sobrenatural, Jogos Mortais e O Chamado, entre outras tantas sagas, desconheça a vocação dos nossos cineastas independentes para o horror. Mas sempre é tempo de correr atrás. Façamos um breve apanhado dos últimos anos.

Rui Poças/Divulgação

Marjorie Estiano e Isabél Zuaa em As Boas Maneiras: filme mistura fábula, horror e crítica social

 

As Boas Maneiras, mais recente exemplar dessa safra e em cartaz nos cinemas, segue gestação e primeira infância de um garoto, digamos, diferente dos coleguinhas. Tanto que, em noites de lua cheia, ele precisa ser algemado a uma parede e trancafiado num quarto com portas reforçadas para não machucar ninguém.

Com atuações impactantes de Marjorie Estiano e da portuguesa Isabél Zuaa, o longa é o novo trabalho da habilidosa dupla Juliana Rojas e Marco Dutra – os dois fizeram o suburbano Trabalhar Cansa (2011) e ele é responsável pelo sinistro Quando Eu Era Vivo (2014), estrelado por Sandy e Antônio Fagundes.

As Boas Maneiras é um filme ousado, equilibrado entre a docilidade e a sanguinolência, com efeitos especiais caprichados – tanto digitais quando matte paintings para compor uma visão fantasiosa da cidade de São Paulo.

Daqui a pouco, em 9 de agosto, estreia outro aguardadíssimo terror BR. Curiosamente, na mesma edição do Festival do Rio vencida por As Boas Maneiras, O Animal Cordial, assinado por Gabriela Amaral Almeida, saiu da mostra principal, a Première Brasil, com o prêmio de melhor ator para Murilo Benício. Outra proximidade: ambos são ambientados na capital paulista.

Um restaurante é alvo de assaltantes armados durante a noite. Com os clientes ainda na casa, o personagem de Benício, dono do estabelecimento, tenta lidar com a situação ao lado de uma garçonete (Luciana Paes).

A produção de curtas-metragens de terror também é farta. Gabriela mostrou Estátua!, estrelado por Maeve Jinkings e Helena Ignez, no Festival de Brasília 2014. Naquela mesma edição, o vencedor da competição de curtas foi Loja de Répteis, de Pedro Severien.

Os festivais, importante destacar, são as grandes vitrines desses filmes, sobretudo dos curtas. Brasília também revelou À Parte do Inferno, de Raul Arthuso, em 2015. Ano passado, veio o longa O Nó do Diabo. Com quatro diretores, a produção paraibana comenta escravidão e racismo no Brasil em cinco episódios, do período colonialista à contemporaneidade. Um retrato potente e criativo, que vai do filme de cerco a hordas de zumbis. Deve estrear em 28 de junho.

Com formato semelhante, As Fábulas Negras (2015) bebe do nosso folclore para contar histórias genuinamente brasileiras. Assinam os episódios nomes como José Mojica Marins, o Zé do Caixão, mestre maior do horror nacional, e Rodrigo Aragão, conhecido pelos mortos-vivos de Mangue Negro (2008).

A Mostra de Tiradentes, painel que reúne anualmente produções de jovens diretores, também tem ajudado a catapultar o terror independente. Passaram por lá longas como o thriller de fantasmas A Misteriosa Morte de Pérola (2014), o vampiresco Terra e Luz (2017) e o conto de casa mal-assombrada O Diabo Mora Aqui (2015).



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