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A primeira vítima da #VazaJato foi a 2ª temporada de O Mecanismo

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Era março de 2018, quando José Padilha viu a série O Mecanismo chegar à Netflix. Além do premiado diretor de Tropa de Elite, o elenco contava com nomes estrelados, como Selton Mello e Caroline Abras. Na trama, o juiz Paulo Rigo (Otto Jr.) era Sergio Moro, o então magistrado-herói da Lava Jato.

O personagem revelava a imagem do então magistrado curitibano: tomava decisões polêmicas, mas acertadas e sóbrias. Possuía uma áurea de figura imprescindível no combate à corrupção – mesmo que o personagem principal fosse Marco Ruffo, o delegado vivido por Selton Mello.

Selton Mello em O Mecanismo
Polarização

Como era um ano eleitoral, a polarização política atingiu em cheio o seriado. Do lado petista, críticas à vilanização do partido que ficou no poder e foi peça-chave nos esquemas de corrupção. Para apoiadores da Lava Jato, a produção era um importante depoimento de um Brasil capaz de vencer os malfeitos do poder.

O tempo, sempre ele, passou! Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente da República e, em 1º de novembro, Sergio Moro foi anunciado ministro da Justiça e Segurança Pública. A avaliação de alguns setores era de que o juiz aliava-se ao governo que teria ajudado a eleger. Nessa linha do pensamento estava José Padilha.

Em abril, o cineasta publicou artigo na Folha de S. Paulo para marcar o rompimento com Sergio Moro. Ele escreveu: “Ora, o leitor sabe que sempre apoiei a operação Lava Jato e que chamei Sergio Moro de ‘samurai ronin’, numa alusão à independência política que, acreditava eu, balizava a sua conduta. Pois bem, quero reconhecer o erro que cometi”.

2ª temporada

Em maio, mesmo assim, estreou com muito mais discrição a segunda temporada de O Mecanismo. O alvo deixou de ser o PT e o canhão voltou-se contra o MDB (ex-PMDB) do ex-presidente Michel Temer. Bolsonaro aparece só no último episódio, reproduzindo o discurso conhecido na votação do impeachment.

De lá para cá, o desgaste de Moro aumentou. Em junho, deu-se início à #VazaJato, na qual o The Intercept Brasil divulgou mensagens entre o ex-juiz e o procurador Deltan Dallagnol. As reportagens afetaram o atual ministro e, também , o discurso de apoio à Lava Jato defendido por Padilha em O Mecanismo. Os heróis da trama passaram a ser questionados publicamente – e, também, defendidos pela base de apoio do governo.

Assim, a primeira vítima concreta da #VazaJato foi a segunda temporada de O Mecanismo. A Netflix não divulga dados de audiência – somente quando são muito favoráveis, como no caso de Mistério no Mediterrâneo. Porém, alguns dados de sites especializados é possível ter uma ideia do impacto. No IMDB, a produção despencou 221 posições no ranking de popularidade. A sequência inicial teve nota média de 7,8, enquanto o segundo ano caiu para 6,9.

Queda

No Rotten Tomatoes, outro site que agrega avaliação de usuários, a primeira temporada teve 79% de aprovação. O segundo ano registrou queda de 23 pontos percentuais, marcando 56% de aprovação.

Até mesmo José Padilha admite a força da #VazaJato em sua narrativa. Em entrevista à BBC, em junho, o cineasta disse que incluiria a conversa de Moro e Dallagnon no seriado e chama a atitude do ministro de “estúpida”.

José Padilha: “Parece que Moro tomou a iniciativa de ‘ajudar’ a acusação… Uma atitude antiética e claramente estúpida”

“No momento em que Moro aceitou trabalhar para a turma de [Jair]Bolsonaro, políticos claramente despreparados e envolvidos com a esgotosfera da polícia carioca, percebi que tinha feito um erro de julgamento a seu respeito”, argumentou Padilha. “Parece que Moro tomou a iniciativa de ‘ajudar’ a acusação… Uma atitude antiética e claramente estúpida”, concluiu.

A continuidade do seriado ainda não foi confirmada. A julgar pela omitida que a própria Netflix fez da atração em seu algorítimo, ela parece respirar por aparelhos. Será que uma nova sequência tentará transformar o veneno da #VazaJato em remédio? A ver.

Luiz Prisco

Formado pelo Centro Universitário de Brasília (UniCeub), tem passagens pela redação do Correio Braziliense, com atuação nas áreas de gastronomia e entretenimento. Fez especialização em Jornalismo Digital no Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS). Estudou comunicação, sociologia e ciências políticas na Science Po Rennes, na França

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