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O debate sobre a saúde mental dos servidores é uma das bandeiras do SindSaúde-DF, uma preocupação que nasce da necessidade de cada trabalhador nas diversas unidades de saúde. O desgaste, a pressão, o sucateamento e as péssimas condições de trabalho, além do contato diário com a dor do outro, contribuem para que o quadro de patologias mentais seja cada dia mais comum entre os profissionais da área.

Além da rotina psicologicamente e fisicamente extenuante, o servidor da Saúde ainda convive com dramas na vida pessoal, familiar e financeira, em decorrência da defasagem salarial e dos juros exorbitantes praticados pelo BRB, que transforma muitos em devedores eternos.

Perseguição, assédio, falta de condições de trabalho e busca por excelência em um ambiente sem estrutura adequada são agravantes que afetam a saúde mental dos servidores. E quem cuida deles, senhor governador Rollemberg?

Quem cuida dos cuidadores?

As grandes corporações multinacionais e empresas estatais investem há muito tempo naquilo que consideram o seu maior capital, o fator humano. Elas adotam políticas de saúde laboral por meio de programas de cuidados e prevenção aos transtornos mentais, o que diminui muito o número de atestados médicos e afastamentos.

Colunista do Portal SindSaúde, o médico Marcel Marcolino escreveu sobre o tema e questionou o tratamento ao servidor. O fato é que o governo deveria se preocupar com os servidores. Funcionários afastados causam um impacto enorme na qualidade e quantidade de serviços prestados a toda a população.

Uma gestão proativa e antenada com a saúde ocupacional poderia estabelecer fluxos de apoio e protocolos para identificação, acolhimento e encaminhamento dos casos sem prevenção primária (praticamente todos), possibilitando o tratamento do transtorno mental em curso e reabilitação mais precoce desses servidores da Saúde.

Casos recentes mostram que o desgaste diário é o causador de muitas tragédias. Relatos de registros no DF, infelizmente, corroboram para essa certeza. Depressão, síndrome do pânico, esquizofrenia e tantas patologias psicológicas que acometem servidores são doenças graves e devem ter a devida atenção dos gestores. É preciso notar que esses trabalhadores estão doentes e assisti-los. Afinal, são eles que irão cuidar de nós!

Por que os trabalhadores da Saúde não são tratados de forma igual aos servidores dos órgãos da Justiça, que tem política de cuidados laborais de referência?"

Postura errada

O Governo do Distrito Federal não se preocupa de fato com o alto absenteísmo causado por transtornos mentais. Ao contrário, ele usa a mídia para criminalizar os trabalhadores como se os atestados fossem falsos e o problema não existisse. Isso afeta ainda mais a autoestima dos profissionais de saúde, além dos quadros de depressão e outras doenças.

Temos aqui o abandono e o consequente assédio moral do Estado, o qual, por omissão, condena centenas de servidores à condição de excluídos do próprio sistema de que fazem parte. Dessa forma, a população sofre com a redução de profissionais, que se afastam por longos períodos ou se aposentam porque não há uma política de prevenção e cuidado destinada a eles.

Segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, entre 2007 e 2017, foram notificados 7.770 casos de transtornos mentais relacionados ao trabalho. As mulheres são a maioria das vítimas (60% dos quadros notificados).

Nessas circunstâncias, urge a necessidade de programas que previnam transtornos psiquiátricos, doenças das quais os servidores da Saúde estão sujeitos a serem vítimas. Ou seja, serão os futuros pacientes, criando um efeito dominó de proporções e prejuízos incalculáveis a toda uma geração em nosso Distrito Federal.



 


Sindsaúde-DF