Relembre cinco campanhas de comunicação que não saíram como esperado

A audiência está sempre de olho e cada vez mais crítica. O consumo é um forma de protesto

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atualizado 19/04/2019 8:06

Alguns chamam de era da problematização em excesso. Outros celebram a democratização do acesso, mesmo que lenta, e pautas antes tabu hoje ocupam o mainstream. Estejamos de um lado ou de outro, é inegável que os últimos anos foram palco de discussões sobre os mais variados assuntos. As mídias sociais abrem milhões de janelas para o mundo e o algoritmo trata de agrupar quem pensa parecido.

As marcas que hoje colocam a sua cara à tapa, em grandes ou pequenas campanhas, são assunto constante no mundo www. Queira você consumir a qualquer custo ou criticar um produto, a opinião está sempre à espreita. E é por isso que o conteúdo de divulgação de cada label tem de ser milimetricamente pensado. Lembra das campanhas de cerveja com mulheres seminuas? Imagina elas passando em 2019? Não dá, né?

Uma frase fora de contexto, a escolha errada de modelos, preconceitos, mesmo que implícitos, são o suficiente para quebrar uma marca. A audiência está sempre de olho e cada vez mais crítica. O consumo é um forma de protesto.

Na coluna de hoje, vou relembrar alguns “anticases”, não por gostarmos de ver marcas na pior por pequenos deslizes, mas para mostrar que o politicamente correto tem de ser levado a sério. A comunicação nada mais é do que um diálogo e o respeito é primordial.

Diretora da Vogue e polêmica de aniversário
O final de 2018 foi marcado por um conturbado evento. A ex-diretora da Vogue Donata Meirelles comemorou o seu aniversário em Salvador e fez escolhas consideradas ofensivas para a decoração de sua festa. As imagens que rodaram o Brasil causaram enorme revolta nas mídias sociais. A marca precisou afastar a diretora para se reequilibrar.

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H&M e o “menino macaco”
Em janeiro de 2018, um caso de péssima escolha da stylist abalou a H&M. Claro que dizem que não foi proposital, mas a imagem final é um menino negro usando moletom com a frase “o macaco mais legal da floresta” em um lookbook da marca. A opinião pública logo caiu em cima pela falta de sensibilidade e curadoria.

Heineken e a cerveja racista
Um bartender escorrega uma cerveja pelo balcão. Ela passa por três pessoas negras e chega às mãos de uma pessoa branca. Ao final, a frase Lighter is better (Quanto mais claro melhor). O que você pensaria? O Twitter não perdoou a Heineken.

Quando a Dolce & Gabbana foi bloqueada pela China
A marca italiana se preparava para entrar no mercado chinês e construiu uma campanha repleta de estereótipos e preconceitos. Assista a um trecho abaixo:

O público oriental protestou nas mídias da marca e um dos designers da empresa, em vez de acalmar os ânimos, foi flagrado em seus stories criticando o povo chinês. A fala preconceituosa foi responsável por um boicote e pelo cancelamento do desfile da Dolce & Gabbana no país.

Esteé Lauder e seus tons limitados de pele
A marca de cosméticos americana lançou orgulhosamente a sua linha de bases com 30 tons diferentes. O princípio era vestir várias matizes de pele, mas o planejamento de produto e comunicação foi totalmente fracassado. Cerca de 70% da paleta representa tons superclaros e menos de 1/3 tons de mulheres mais morenas. O resultado: boicote das consumidoras.

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SOBRE O AUTOR
Sarah Gomes

Formada em administração pela Universidade de Brasília (UnB), com mais de 10 anos de experiência em varejo. Trabalhou como buyer da Colcci e da multimarcas The Webster, de Miami. Em 2016, fundou a empresa de comunicação #PleasePostMe, que atende fortes marcas de moda, design e gastronomia de Brasília. Trabalhou ainda como influenciadora para com marcas como Adidas, RayBan e Grupo BHG de Hotéis. Em sua coluna no Metrópoles, fala sobre o mundo das mídias sociais, marketing e empreendedorismo.

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