*
 
 

“Um coração alegre faz tão bem quanto remédio, mas uma alma abatida seca os ossos.” Os dizeres, reproduzidos do Livro dos Provérbios, sinalizam para algo que nem sempre cultivamos com o rigor e a seriedade devida: rir faz bem.

A própria metáfora indica o poder de uma risada: achar graça nas coisas. Ou seja, reconhecer algo de dadivoso, de divinal. A imagem de alguém melancólico, taciturno, remete à ausência do espírito – como se a alma tivesse partido para um lugar distante.

E é esse o semblante que muitas vezes vemos estampados por aí: riso sem sabor, posado, para não brigar com o cenário ou o figurino. Há diversas técnicas para construir um sorriso fotogênico. Busque no YouTube.

Vivemos um paradoxo no que tange aos humores: apesar de temermos profundamente o sofrimento, temos um certo constrangimento em praticarmos o riso solto, livre de constrangimento. O riso alegre tornou-se uma espécie de agressão.

Exagero? Pergunte a quem tem uma sonora gargalhada. Certamente, ouvirá histórias de censura. Se você não é essa pessoa, sente-se ao lado dela, na exibição de uma cena cômica no teatro ou no cinema. Viverá a impagável experiência de contágio imediato do bom humor.

Esse é o propósito de algumas modalidades terapêuticas que adotam a risada como forma de cura para a alma. As primeiras risadas são forçadas, teatrais. Mas logo, todos estarão entregues a mais sincera alegria, desmanchando com ela a raiva, o rancor e o estresse.

O riso é uma forma de aliviarmos as tensões impostas pela vida. Disso, nasceu a comédia: aprendemos a zombar das nossas misérias como forma de aceitá-las com mais facilidade, aliviando o peso das limitações da existência.

Rir de si não é necessariamente autodepreciação, mas pode demonstrar uma vontade de dar novos significados a situações interpretadas originalmente como negativas.

Inclusive, esse é o indicativo de superação, adotado por muitos quando atravessam uma situação difícil na vida: conseguir sorrir daquilo que gerou tanto mal aponta termos conseguido ir além do problema.

Pode ser também a expressão do triunfo sobre o outro, no sarcasmo, no deboche e na ironia. É o riso não derivado da graça, e, sim, da sombra – do conteúdo que não aceitamos em nós e apontamos no outro. Aos praticantes, um alerta: “quem ri por último, ri melhor”.



Bem-estarterapiasorrir
 


COMENTE

Ler mais do blog