Coçou, ardeu? Conheça seis alergias comuns no sexo

Do látex ao esperma, as reações alérgicas são mais comuns do que se imagina

Mulher com as duas mãos em frente ao órgão sexualReprodução/ FreePik

atualizado 08/04/2020 11:56

Para algumas pessoas, a máxima “sexo é sinônimo de prazer” pode não valer completamente. Existem algumas condições e desconfortos relacionados ao ato sexual que não só impedem um pleno aproveitamento, como também indicam problemas mais sérios.

Segundo o alergista César Milton Marinelli, muitas pessoas possuem alergias a algo relacionado ao ato sexual, mas descobrem tardiamente. “Tem gente que acha que não é alergia, ou que foi algo que não é digno de atenção. Mas deve-se ter cuidado, pois pode piorar”.

De acordo com o especialista, ele recebe muitos encaminhamentos de ginecologistas e urologistas. “Os pacientes acabam por se queixar de comichão, de olhos lacrimejantes, do nariz a escorrer e/ou até de urticária, sem relacionar uma coisa e outra”.

Se não houver diagnóstico e tratamento, pode evoluir para casos mais graves. “Queimaduras vaginais, inchaço, bolhas, aperto no peito, vômitos, diarreia e até, em situações mais extremas, perda de consciência”.

César recomenda sempre estar de olho nas manifestações corporais fora do “normal”. “Num momento de intimidade a dois, uma respiração mais ofegante, um coração a bater de forma mais acelerada ou até uma transpiração ligeiramente acima do normal acabam por ser atribuídos à intensidade do momento”, explica.

Confira as alergias mais comuns no sexo e suas causas:

Látex

Apesar de ser um dos materiais mais utilizados na produção de preservativos, há muitos que são alérgicos a esta matéria-prima, também presente na composição de muitos brinquedos sexuais.

“Irritação vaginal, comichão e sensação de ardor são três das consequências mais comuns. Algumas pessoas chegam a ficar com erupções cutâneas. Em caso de dúvida, substitua o preservativo por outro método contraceptivo”, afirma o especialista.

Em alguns casos, o problema pode não estar no látex em si, mas em outros materiais usados na fabricação dos preservativos, como é o caso da caseína, uma proteína em pó extraída do leite de vaca que os torna menos pegajosos, assim como os parabenos.

“As reações nem sempre são imediatas. Além de recorrer a contraceptivos sem látex, pode-se também usar preservativos veganos, produzidos com extrato natural de cardo”, ressalta Marinelli.

Lubrificantes

Tal como os preservativos, muitos lubrificantes contêm ingredientes que causam reações alérgicas. Os sintomas são muito semelhantes aos provocados pelo látex.

“Os que anunciam sabores e sensações de frescor ou de aquecimento ou ainda de entorpecimento podem ter muitos aditivos aos quais o organismo vai reagir”, alerta o alergista. “A glicerina é uma das culpadas”, acusa.

“Pode causar reações alérgicas e ter ainda o poder de se converter em açúcar e instigar [o aparecimento] de infeções fúngicas, com sintomas muito semelhantes aos de uma alergia”, frisa.

A lista de substâncias potencialmente irritantes inclui também a benzocaína, um anestésico local de absorção rápida, usada como calmante para dores, que pode ser aplicado na pele ou nas mucosas, assim como a lidocaína e a l-arginina.

Traumas anteriores

Relacionamentos amorosos que acabaram mal podem afetar posteriormente a vida sexual. “Não se trata propriamente de uma alergia, mas anda muito próximo de uma coisa chamada dispareunia [dor durante o ato sexual]”, afirma o médico. “Basicamente, é algo psicológico que acaba por gerar uma resposta fisiológica”, acrescenta.

“Situações de abuso, de vergonha sexual ou de falta de confiança no parceiro podem originar inflamações ou erupções cutâneas. À semelhança de outras alergias, o sistema imunitário faz o que pode para denunciar que algo está errado”, afirma César. Dores durante a penetração e/ou durante o sexo, queimaduras, dores nos músculos e dores latejantes são alguns dos sintomas mais comuns.

Orgasmo

Há pessoas que, com o passar dos anos, desenvolvem uma alergia aos orgasmos. Síndrome da doença pós-orgásmica é o nome que os médicos atribuem a esta patologia rara.

Também apelidada síndrome de doença pós-ejaculatória, ela deixa os homens mais fracos, vulneráveis, febris, cansados e até irritáveis. Muitos dos seus sintomas assemelham-se aos da gripe. “Eles ficam com dificuldade em concentrar-se”, aponta ainda o especialista.

“Lutam contra o congelamento do cérebro logo após a ejaculação do sêmen”, diz. O problema pode gerar uma hipersensibilidade ao plasma seminal e causar comichão, tonturas, queimaduras, diarreia e/ou perdas de consciência.

“Nem todos os investigadores que o estudaram estão de acordo, mas muitos acreditam que é causada por uma alergia dos homens ao seu próprio esperma”, complementa Marinelli.

Contraceptivos

Há mulheres que reagem aos contraceptivos, sobretudo no período que se sucede a uma troca de método.

A lista dos efeitos secundários mais comuns, semelhantes aos de outras reações alérgicas, inclui dores de cabeça, náuseas, vômitos, problemas de estômago, diarreia, erupções cutâneas e, em alguns casos, a queda da tensão arterial. “Se persistirem, deve-se procurar ajuda especializada”, aconselha.

Esperma

A hipersensibilidade ao plasma seminal humano, também chamada de alergia ao esperma, alergia ao sêmen ou mesmo de alergia ao sexo, realmente existe. E é causa de insatisfação da vivência sexual entre muitos casais.

“Trata-se de uma reação alérgica, que ocorre devido ao contato da mucosa vaginal com o sêmen, mais especificamente as proteínas existentes no plasma seminal (um dos constituintes do sêmen), não sendo específico para um determinado parceiro”, explica César.

De forma geral, alergia ao sêmen é uma hipersensibilidade a estas proteínas existentes no líquido seminal. “As mulheres mais propensas geralmente apresentam outros quadros de alergia, como rinite, urticária, dermatite atópica e asma”, finaliza o especialista.

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