Um domingo de futebol e goleada com os filhos. Nota 10!

Pais e filhos, as histórias se repetem. Lembro-me da emoção de levar meu filho ao Maracanã pela primeira vez. Agora foi a segunda

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atualizado 13/02/2019 21:44

O futebol sempre foi uma paixão para mim. Desde os tempos em que meu pai me levava ao Mineirão e eu sofria com o meu Cruzeiro nos jogos contra o Atlético. Eram os tempos dos craques Tostão, Dirceu Lopes, Raul e Natal. Do outro lado, o sempre temido Dario, o Dadá Maravilha.

Depois, já morando em São Paulo, as tardes de domingo eram no Morumbi e pude ver jogar Muller, Silas, Raí e Zetti, naquele mágico time bicampeão mundial. Em Brasília, no velho Mané Garrincha, acompanhei alguns jogos do Legião (ainda existe?) e, no novo Mané, Estádio Nacional, sempre que o Flamengo ou o São Paulo jogavam eu estava lá.

Sempre com o meu filho mais velho, o Rafael. Pais e filhos, as histórias se repetem. Lembro-me da emoção de levá-lo ao Maracanã pela primeira vez para assistirmos ao rubro-negro empatar com a Portuguesa de Desportos por 2 a 2. Os olhinhos molhados daquele menino de 8 anos me emocionaram também. Eram os idos de 2008 e um craque da Portuguesa “botou água no chope” do Flamengo: o jovem Jonas.

Avancemos um pouco mais de dez anos no tempo. Domingo passado foi dia de levar o meu filho mais novo pela primeira vez ao estádio. Benfica X Nacional, no Estádio da Luz, em Lisboa. É claro que a gente nunca quer que na primeira ida a um jogo de futebol o filho se decepcione. Estrategicamente escolhemos um jogo mais fácil. É menos chance de haver confusão, é mais chance de vencer. Acho que nunca levaria num Benfica X Porto ou Benfica X Sporting para debutar numa arena esportiva.

Pois lá estávamos os dois com os nossos cachecóis do Benfica (aqui eles substituem as bandeiras), acompanhando o tradicional voo da águia que precede os jogos do time. A ave, símbolo do clube, sai lá do alto do estádio, faz diversos voos rasantes até pousar bem no centro do campo. Emoção sem palavras.

Antes da bola rolar, mais um momento de extrema emoção: o minuto de silêncio pelos meninos do Flamengo, vítimas do incêndio. O Brasil inventou o minuto de silêncio com 20 segundos. Reparem nos jogos em que há o luto: o minuto nunca tem um minuto, nem os narradores respeitam o silêncio, quanto mais as torcidas. Aqui em Portugal, milhares de quilômetros distante de nossas tragédias, presenciei 60 segundos de um silêncio profundo, de verdade, em todo o estádio. O único som que se ouvia era o do tremular das bandeiras oficiais do Benfica à beira do campo…

Bola rolando, o que se viu foi um show do Benfica, que abriu o marcador aos 30 segundos de jogo.

Pouparei os leitores menos adeptos do futebol de narrar os 90 minutos do espetáculo. Foram dez gols! Dez a zero para o time da águia. Há 55 anos não havia uma goleada desse porte. A cada gol, a emoção do meu pequeno João Pedro a girar o seu cachecol no ar, como os portugueses comemoram. Para os aficionados da numerologia: 10 gols no dia 10, com homenagem a um antigo ídolo camisa 10, sendo que o décimo gol foi marcado pelo ídolo brasileiro camisa 10, que entrou no segundo tempo para marcar dois gols: Jonas!

Sim! O mesmo Jonas que dez anos atrás brilhou pela Portuguesa no Maracanã contra o Flamengo. A história se repete…

Não vou entrar em detalhes sobre a qualidade de tudo que está além das 4 linhas do gramado. As instalações do estádio, os acessos, a segurança, a limpeza, a organização e o marketing do Benfica (e também dos outros grandes clubes portugueses como o Porto e o Sporting). O resultado se vê nos números. Um estádio cheio, em um jogo que não era um clássico, com 55 mil adeptos (que é como se chamam os torcedores em Portugal), mesmo com ingressos caros.

Fim de jogo. Um brilho nos olhos de um velhinho benfiquista que já deve ter visto centenas de jogos do time do coração. O mesmo brilho dos olhos do meu pequeno João Pedro e do meu grande Rafael dez anos atrás.

Como todo pai chato, fui obrigado a alertar: “Filho, olha só, não é todo dia que se ganha de dez a zero. Haverá dias de vitórias com menos gols, alguns empates, pode perder…” Ele não deu muita confiança às minhas palavras.

Segunda-feira de manhã, pronto para ir à escola, o João Pedro envergava no pescoço, orgulhoso, o cachecol do Benfica.

PS.: Obrigado ao grande amigo Victor Carvalho, do Banco Atlântico Europa, que nos convidou ao jogo e que já sabe: o João Pedro é pé quente!

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