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Quem se muda para Portugal ou para qualquer país da Europa recebe, de cara, um conselho financeiro: “Pense em euros, não pense em reais; não fique fazendo a conversão da moeda o tempo todo, senão você enlouquece…”

Isso é lindo para quem ganha em euros, mas para quem transfere dinheiro do Brasil para Portugal, sujeito às oscilações do câmbio atrelado ao humor político-econômico do nosso país, não é mole, não.

É na ponta do lápis mesmo. Nosso cérebro transforma-se numa calculadora ambulante. “É mais barato que no Brasil”, “é mais caro que no Brasil”. Enfim, as comparações são inevitáveis.

Eu adoraria arredondar a conta em 1 euro = 3 reais, como já foi um dia. Mas, infelizmente, hoje somos obrigados a multiplicar por quatro.

Mesmo assim, as surpresas podem ser agradáveis. Eu sou daqueles que curte supermercados. Às vezes, apenas para fuçar as gôndolas, ver as novidades, novas embalagens e produtos. Força do hábito de publicitário.

Por exemplo, um litro de leite meio-gordo (o nosso semidesnatado) custa € 0,46, menos de R$ 2. Nem em megaqueimão de estoque, encontramos esse preço no Brasil.

Aliás, adoro essas literalidades da língua portuguesa do lado de cá. O leite aqui é gordo, meio-gordo ou magro, quase que para nos lembrar o estado em que pode nos deixar. Muito mais direto do que os sofisticados integral, semidesnatado e desnatado a que estamos acostumados no Brasil.

Em muitos produtos, especialmente os que compõem a cesta básica do brasileiro, os preços se equivalem, com pequenas diferenças a favor de um país ou de outro.

Nas frutas, o Brasil dá uma surra. Em variedade e em preço. Eu choro quando tenho que pagar mais de € 4 por um quilo de manga. Aquela mesma fruta, que pegamos nos pés das mangueiras espalhadas por Brasília, custa R$ 16 o quilo em Portugal. E está escrito na plaquinha do supermercado que o fruto está pronto para comer e veio do Brasil por via aérea.

O mamão, idem. Seja o papaia, seja o formosa, também importados do Brasil, a € 4 o quilo. O jeito é abrir mão das nossas frutas tropicais e cair de boca nas peras, maçãs, morangos e laranjas, essas, sim, bem mais doces do que as nossas.

No fundo, o que acaba valendo mesmo é uma perspectiva pessoal, ou seja, cada família tem um hábito de consumo diferente e isso vai influir no que se entende por caro ou barato. Carne de boi em Portugal é caríssima. Sem falar que você precisa levar um tradutor, porque os cortes e os nomes não são os mesmos. Peixe, frango e porco acabam sendo mais consumidos. E, por uma questão financeira, você opta por eles.

Por exemplo, alguns preferem cerveja, eu prefiro vinho. O preço da cerveja nacional fica pau a pau com o Brasil. Já as importadas aqui (belgas, alemãs, inglesas etc) são bem mais em conta, afinal, está tudo dentro da Europa.

Mas, se nas frutas o Brasil ganha de lavada, no vinho, Portugal dá o troco. É fácil identificar um gringo no supermercado. É aquele sujeito que fica abestalhado diante das gôndolas de vinho, sem saber por onde começar. É possível encontrar uma boa garrafa aqui por € 2 a € 3. O mesmo rótulo que custaria num supermercado do Brasil em torno de R$ 50. E se você quiser degustá-lo em casa com um bom queijo da Serra da Estrela, terá um prazer dos nobres por um preço bem plebeu.

Eu poderia ficar semanas aqui fazendo essas comparações. Mas, nesse campeonato de pontos corridos, na hora do desempate, se considerarmos os critérios de qualidade e variedade de produtos, o país do Cristiano Ronaldo vai levar a taça.



 


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