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Portugal é um país pequeno, menor que o estado de Santa Catarina. Para nós, brasileiros, acostumados a dimensões e distâncias continentais, percorrer o território português de norte a sul é muito rápido. São apenas 630km, menos que a distância Brasília–Belo Horizonte, e por estradas excepcionais. Os pedágios são caríssimos, mas você trafega em pistas que parecem um tapete.

De oeste para leste, saindo de Lisboa até a fronteira com a Espanha, é como ir de Brasília a Alto Paraíso, apenas 230km, os quais o turista percorre em duas horas, no máximo. Você dá um pulinho em outro país, ouve uns “¡Hola! ¿Qué tal?”, come uma boa paella, abastece o carro por um preço bem menor e volta feliz para casa. O que encarece a brincadeira, mais uma vez, é o pedágio, de mais ou menos 32 euros (cerca de R$ 130), somando a ida e a volta. E os portugueses ainda acham tudo longe… Se conhecessem as nossas distâncias e as péssimas condições de nossas estradas, aí não saíam de casa mesmo.

Uma curiosidade sobre os combustíveis em Portugal: há muitos carros a diesel – até veículos pequenos, de passeio, não só picapes, jipes e SUVs. A primeira vez em que abasteci, achei caríssimo, 1,30 euro o litro de diesel, por volta de R$ 5,20! Quando fui reabastecer e constatei que o carro tinha feito 18km por litro, percebi que não tinha sido tão caro.

Mesmo assim, os preços dos combustíveis variam muito de posto para posto, e cada centavo merece ser economizado. Uma dica: compras em supermercados dão descontos nos postos, e os abastecimentos dão abatimentos nos supermercados. Lembrando que não há frentistas aqui, como também não há nos Estados Unidos e em toda a Europa. Você acaba ficando craque em abastecer, calibrar os pneus e lavar os vidros. Pelo menos é mais um ofício que dá para colocar no currículo: frentista ocasional.

Vá de trem
Mas nem só de carros anda o país. Escrevo a coluna desta semana de dentro do comboio (o trem, em português de Portugal), voltando do Porto para Lisboa, com wi-fi, serviço de bar e todo o conforto. São 2 horas e 44 minutos de um trajeto bonito, passando por Coimbra, em um trem de alta velocidade. É um serviço supereficiente, pontual, que atende bem todo o território português.

 

Há estações de trem centenárias, que por si sós já valem a viagem, como a Estação de São Bento (imagens acima), no Porto, considerada uma das mais belas do mundo, com seus lindos conjuntos de azulejos. Há também terminais ultramodernos e arrojados, como a Gare do Oriente, em Lisboa, projeto do arquiteto espanhol Santiago Calatrava, o mesmo que projetou o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

Como já se disse inúmeras vezes, é uma pena que o Brasil tenha feito a opção pelo transporte rodoviário e não investiu em sua malha ferroviária, que hoje serve muito mais para cenário de novelas de época ou pequenos trechos turísticos, em vez de ser um eficaz e limpo meio de transporte de passageiros. Sem trocadilhos, perdemos o trem da história. Mas, como somos eternos otimistas, vamos acreditar que o nosso presidente tenha sido literal ao dizer que pretende colocar o país nos trilhos.



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