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Já comentei em colunas anteriores que as férias escolares europeias concentram-se em uma única etapa, que corresponde ao verão, entre julho e setembro. No fim do ano, rola apenas um recesso rápido entre o Natal e o Ano Novo. Os pais naturalmente aproveitam e tiram férias na mesma época que os filhos. E vão todos para onde? Pro Algarve. A sua gerente de banco saiu de férias? Tá no Algarve. O dono daquele simpático café administrado por ele e sua família fechou? Só este mês, porque foi todo mundo pro Algarve. Já que estava todo o mundo no Algarve, não me restou outra opção que não fosse me juntar ao rebanho.

Para quem não sabe, o Algarve é a região sul de Portugal, formada por várias cidades praianas, de diversos tamanhos. A faixa de litoral português que é voltado para o sul e não para o oeste. Fui obrigado a me render: o Algarve é realmente lindo! Mais de 300 dias de sol por ano e águas mais quentes (para os parâmetros deles, porque para os nossos padrões nordestinos, continuam geladas). As falésias junto ao mar e outros montes de rocha dentro da água. Olhando de longe, é como se um gigante tivesse resolvido brincar de areia e realizado verdadeiras esculturas naturais. Não é à toa que o Algarve foi eleito o melhor destino de praia da Europa em 2017.

Nunca fui muito fã das praias com longas faixas de areia, longe da montanha. Sem querer parecer bairrista (mas já sendo), sempre preferi as praias do litoral norte de São Paulo, na região de São Sebastião, onde passei boa parte da adolescência. Praias pequenas, às vezes de difícil acesso, cercadas pela serra. Se misturar com as praias de falésias do Nordeste, como Canoa Quebrada e Redonda no Ceará, ou Pipa no Rio Grande do Norte, com uma pitada das águas frias de Cabo Frio, a cor do mar do Caribe e aquela infra completa do Guarujá, pronto: temos o Algarve. Essa mistura, que poderia parecer indigesta, resultou num pequeno pedaço do paraíso no sul de Portugal.

Os ingleses, irlandeses e outros povos das ilhas da Bretanha, que não são bobos nem nada, elegeram o Algarve como uma extensão dos seus países. Quer ver a força disso? Portugal tem três aeroportos internacionais. Obviamente Lisboa, Porto… e o terceiro? Claro, Faro, a capital do Algarve. Por exemplo, são quatro voos diários diretos de Dublin, capital da Irlanda, para Faro, a partir de 23 euros. Três horas de voo para curtir um país muito mais barato e com muito mais sol e praia.

Juro, nunca vi tantos ingleses no mesmo lugar, depois de Londres. Felizes, desfilando suas pernas brancas, lambuzadas de protetor solar fator 100, ou com aquela cor rosa que dá dó, para quem não se precaveu. Mas sempre alegres, cantando nos bares e bebendo sua cerveja Guinness. Nas lanchonetes e padarias, o aviso: “we serve English Breakfast”. Muitos britânicos já não vão só em férias, mas mudam-se definitivamente para lá. Assim como muitos aposentados de todo o planeta.

As praias mais legais, bonitas, charmosas e, por tabela, as mais procuradas são exatamente as menores praias. Na Praia do Camilo, em Lagos, por exemplo, você mal tem espaço para estender uma toalha e, para chegar à água tem que ir driblando as pessoas, tentando não jogar areia nelas. Quando a maré sobe, aí fica mais apertado ainda. E olha que o acesso à praia não é para qualquer um: são mais de 200 degraus! Sorte que tem uns bancos no meio do caminho. Detalhe: sem cerveja, sem água ou espetinho de camarão.

Outra praia incrível chama-se Benagil, a partir da qual é possível chegar de barco à gruta de mesmo nome. Espetacular. É uma daquelas imagens para colocar de fundo de tela no computador, só para sonhar com as próximas férias. E é bem possível que a gerente do banco e o dono do café tenham feito exatamente isso. Queimados de sol, mas um pouco entristecidos. Afinal, Algarve só no ano que vem.



 


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