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Todo mundo que tem filho pequeno já deve ter se deparado, em algum momento, com aquele recado chato, porém esperado, da escola: tem piolho na área. Dia desses, foi a minha vez. Depois de instintivamente coçar a minha própria cabeça, me dei conta de que nada sabia sobre a praga.

No meu imaginário, piolho era aquela coisa que entra na vasta categoria “perebas da infância”, incluindo problemas tão diversos como catapora, dor de ouvido, catarro e micose. A verdade, porém, é que todo mundo pode pegar. Embora seja mais frequente entre crianças em idade escolar – basicamente, porque elas ficam aglomeradas em suas turminhas –, qualquer um está sujeito a ter de lidar com o parasita.

A pediculose, nome médico técnico para o problema, é uma doença parasitária provocada pela infestação de piolhos e lêndeas (os ovos da praga) no couro cabeludo. “Esse parasita se nutre do sangue humano, vive em torno de 30 dias, e sua fêmea é capaz de colocar até 300 ovos durante a vida”, explica a pediatra Andréa Kasmim.

É justamente no verão, época de calor, quando costumamos transpirar mais, que o piolho encontra o melhor habitat para se espalhar. Mas calma, nem tudo é tão horrível assim. “Eles não podem pular ou voar de uma cabeça para outra. A transmissão se dá via contato físico direto, ao abraçar uma pessoa com piolhos ou dormir na mesma cama que ela, por exemplo, e também ao compartilhar objetos como toucas, escovas e prendedores de cabelo”, esclarece Andréa.

Caso haja o diagnóstico, é preciso enfrentar o problema com xampus específicos. Eles matam os piolhos adultos, mas, no caso das lêndeas, é necessário ter mais paciência. A inspeção na cabeça da criança deve ser diária, com o uso do pente-fino. Os parasitas que caírem na toalha devem ficar submersos no vinagre por 30 minutos.


E por falar em vinagre, embora sejam comuns e bastante disseminadas, as receitas caseiras não são recomendadas. “Lavar os cabelos com Coca-Cola, sal e outras soluções não tem eficácia comprovada. Usar produtos como querosene e inseticida, além de tudo, torna-se arriscado para a criança”, alerta a pediatra.

Andréa lembra que a pediculose não está relacionada à falta de higiene, porque o uso de xampu comum não elimina o problema. Ela também destaca: perfumes e lavandas também não são eficazes para manter a praga afastada. “A solução para a prevenção ainda é a velha e boa inspeção semanal na cabeça das crianças”, diz.



 


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