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Há alguns dias, Solano estava no meu colo e me deu um tapa no rosto. Não que isso fosse inédito, ele já havia agido assim outras vezes, por empolgação e não como um sinal de agressividade. Mas, dessa vez, porém, havia sido diferente: ele não se conteve quando eu expliquei que não podia, que fazia dodói, e passou a me dar outros tapas, me olhando com uma cara de quem diz “e aí, vai fazer o que agora?”.

Achei um despeito da parte dele e fiquei realmente sem saber como reagir. Ralhar com um bebê de 11 meses não me pareceu razoável. Depois, me peguei pensando: ó, céus, será que meu filho, ainda tão pequeno, é malcriado? O que eu estou fazendo de errado?"

Lendo sobre isso na internet, principalmente, depoimentos de outros pais, descobri que esse tipo de coisa é comum, que nem sempre as crianças se convencem com a explicação de que machuca e que é preciso falar um milhão de vezes até que elas entendam quais comportamentos não são socialmente aceitos.

“Só por volta de um ano de idade que a criança começa a internalizar o significado da palavra ‘não’”, diz a pediatra Ana Maria Costa da Silva Lopes, do Departamento Científico de Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). O processo de internalização, contudo, pode levar tempo e exige paciência dos pais e cuidadores.

“Se a reação da criança acontece de forma inadequada ou agressiva, é preciso frear. Segurar as mãozinhas, repreender de forma firme e oferecer um brinquedo, para desviar o foco da atenção, são algumas das medidas que poder ser tomadas”, enumera Ana Maria. As mesmas dicas valem se a criança pequena reage com choro e gritos sempre que é contrariada.

A pediatra ressalta que é importante para a criança ver coerência no comportamento dos adultos próximos a ela. “Muitos cuidadores ou familiares acabam fazendo brincadeiras que incitam a agressividade, como dar tapinhas de leve nas crianças. Isso é perigoso, porque elas são como espelhos da gente”, comenta. Além disso, esclarece Ana Maria, comportamentos extremamente agressivos podem ser sinal de que algo não vai bem no desenvolvimento da criança. “Na dúvida, converse com o pediatra”, recomenda.



 


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