Queernejo! Alice Marcone lança Pistoleira ao lado de Gabeu nesta quinta

"Pistoleira vem para mostrar o quão pop o sertanejo pode ser", disse a cantora

atualizado 30/11/2020 19:23

Divulgação

O sertanejo é potente e queer! A cantora e compositora sertaneja Alice Marcone lançará, nesta quinta-feira (3/12), Pistoleira, com a participação especial do cantor e compositor Gabeu na voz e composição. “Pistoleira vem para mostrar o quão pop o sertanejo pode ser, resgatando também referências do indie e do rock que foram muito importantes na minha vida”, disse ela.

A compositora revelou ainda que o single foi a primeira música que ela escreveu na vida: “A letra era inglês e, na época, eu achava que ela seria um pop rock alternativo, se um dia fosse produzida. Acredito que isso se transfere para a música agora, especialmente com a presença tão marcada do riff de guitarra e dos sintetizadores”, explica Alice.

 

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Sem deixar de lado suas referências, a artista, em parceria com o produtor musical Fábricio Almeida, construiu novas ideias acerca da própria sonoridade. E, com a colaboração de Gabeu, resultou em um “sertanejo tradicional mesclado a um pop rock dançante e envolvente”.

“Também foi super importante, enquanto a primeira música que eu compus conjuntamente com alguém, para o meu próprio processo de me abrir para composições colaborativas. Entendi como outras vozes e ideias podem, na verdade, potencializar e dar ainda mais alternativas para os conceitos que eventualmente eu já tenha definido”, Alice pontua.

O deboche X masculinidade tóxica e engessada

Durante o bate-papo, Alice também pontuou que a experiência em compor com Gabeu trouxe a canção um ar debochado necessário à narrativa. “Eu tendo a ser lírica demais, às vezes até de um jeito meio cafona, e a personalidade debochada dele trouxe um humor muito interessante para a música, para a letra e para o som. Nada como o deboche para desconstruir uma masculinidade engessada e propor uma feminilidade empoderada, que sabe se defender, sabe o que quer e sabe muito bem usar uma pistola”, analisa.

“Foi a primeira vez que eu compus e produzi uma música em conjunto. Até então, só tinha colocado ideias minhas em prática. Foi muito gratificante me identificar com as ideias, a composição e a sonoridade da Alice. Em um determinado momento, a gente sentiu a necessidade de rever a melodia da canção e fomos lapidando até chegarmos no que a gente queria. Inclusive, terminamos tudo no próprio dia de gravação, a caminho do estúdio”, contou Gabeu rindo.

Alice não para: e 2020 foi só o começo!

Apesar do contexto pandêmico, durante 2020 Alice pôde fortalecer outras facetas de sua carreira: atuou como apresentadora e roteirista do reality show Born To Fashion (E!), o primeiro com um elenco formado 100% por mulheres trans no Brasil; ao lado de Gali Galó e Gabeu ajudou na produção e execução do Fivela Fest, numa primeira edição totalmente online; e também vem pré-produzindo seu primeiro disco de carreira, previsto para lançamento total em 2021.

“Para o ano que vem, espero que o Fivela Fest comece a tomar formas ainda mais concretas e possa acontecer também presencialmente, no possível fim dessa pandemia. Também pretendo lançar meu primeiro álbum de estúdio. Espero que esse lançamento consagre de uma vez por todas a potência que o sertanejo tem de falar sobre a história do Brasil e de suas relações e tensões raciais. De falar de amor e enaltecer a afetividade de uma mulher travesti; e do resgate da cultura popular brasileira dos interiores e imaginários caipiras. Quero seguir ocupando cada vez mais espaço nesse audiovisual brasileiro, explorar minhas pesquisas com terror, ficção científica e fantasia, e usar disso tudo como instrumento para falar da pesquisa que realmente toca no fundo da minha alma: a história do sertanejo”, planeja a artista.

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