Presença do coronavírus enche de esperanças a oposição brasileira

O problema é que até agora morreram só quatro brasileiros que haviam contraído o vírus. Ou se acelera o processo ou nada muda

atualizado 19/03/2020 8:25

O general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (pouquíssima gente sabe o que significa isso, mas menos gente ainda acha que é coisa sem importância) pegou o coronavírus. Fez um primeiro teste e estava sem, depois fez um outro e estava com. Agora, aguarda a “contraprova”, uma das palavras mais usadas dos dicionários da língua portuguesa no Brasil de hoje, para ver se está mesmo doente ou não.

O general comunicou que está sem febre, sem tosse, sem mal-estar e sem nenhum dos sintomas da epidemia. Mas lembrou também que isso não quer dizer muita coisa: o sujeito pode estar se sentindo ótimo, e de uma hora para outra fica doente. O futuro dirá.

Houve um tempo em que perigoso era viajar para a beira de algum rio no Amazonas e pegar uma bela maleita, daquelas que deixar o sujeito tomando quinino e tremendo na cama por dias e dias. Hoje, o perigo é ir para os Estados Unidos: foi lá que o general Heleno, e mais uma porção de membros da comitiva, pegou o vírus, na última viagem do presidente Jair Bolsonaro à Flórida.

O mundo, realmente, complicou de vez. A maior potência do planeta, sonho de consumo número um da nossa classe média, virou um antro de doença – embora milhares de brasileiros, vejam só, continuem querendo fugir para lá (no último ano, 18.000 foram presos ao tentarem atravessar ilegalmente a fronteira do México).

A presença do coronavírus enche de esperanças a oposição brasileira: quem sabe agora vai? É verdade que o presidente Bolsonaro se revelou uma completa decepção: fez o teste duas vezes, com prova, contraprova e mais tudo o que tinha direito, e está inteiro.

Mas, agora, temos o general Heleno. Talvez haja outros. Se morrer um monte de gente no Palácio, talvez fique mais fácil um impeachment, não? Sem vírus está difícil; mas com vírus talvez ajude. Vai saber. Ou então, diante da gravidade da situação, os editoriais da imprensa convençam Bolsonaro a renunciar?

O problema é que até agora morreram só quatro brasileiros que haviam contraído o vírus. Ou se acelera o processo, e se caminha para alguma coisa parecida com a Itália, ou fica tudo do mesmo jeito.

* Este texto representa as opiniões e ideias do autor.

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