Sindicato contabiliza oitavo vigilante morto por coronavírus no DF

De acordo com a entidade que representa a categoria, todos os profissionais prestavam serviços em unidades da rede pública de saúde

Funcionário usa máscara contra o coronavírus no HranMyke Sena/Especial para o Metrópoles

atualizado 29/06/2020 17:27

O Sindicato dos Empregados de Empresas de Segurança e Vigilância (Sindesv-DF) anunciou, nesta segunda-feira (29/06), a morte por coronavírus de mais um vigilante que prestava serviços como terceirizado em unidades públicas de saúde do Distrito Federal. Joaquim Gama dos Santos Filho, de 53 anos, é a oitava vítima da categoria e teve o óbito confirmado na manhã desta segunda, por complicações respiratórias.

De acordo com a entidade, Joaquim ficou internado por 16 dias no Hospital Anna Nery, em Taguatinga, e prestava serviços como supervisor no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib).

“Que Joaquim seja acolhido e confortado nos braços do Senhor e descanse em paz. O exemplo deixado jamais será esquecido por aquele que o amavam”, disse o sindicato, em nota de pesar.

Joaquim, 8º vigilante morto por Covi-19 no DF
Joaquim é o 8º vigilante lotado em unidades públicas de saúde a morrer vítima de Covid-19 no DF

 

Até agora, pelo menos 87 vigilantes foram confirmados com o novo coronavírus no DF. Contudo, pela dificuldade de testagem na categoria, o número pode ser ainda maior.

A cidade que apresentou maior número de infecções foi Samambaia, com 19 casos registrados na categoria. A segunda no ranking é Ceilândia, com 10 confirmações de Sars-Cov-2. Taguatinga é a terceira, com sete casos.

Veja a tabela:

Sindicato da categoria já contabiliza 87 confirmações de Covid-19 entre vigilantes
Testagem

Na última semana, o Sindicato dos Empregados de Empresas de Segurança e Vigilância (Sindesv-DF) denunciou que os exames para os integrantes da categoria que atuam nas unidades públicas de saúde foram interrompidos. A Secretaria de Saúde nega.

Conforme o Sindesv-DF explicou ao Metrópoles, o governo fez o teste dos vigilantes que prestam serviço em hospitais e unidades de pronto atendimento (UPAs), mas deixou de aplicá-los em trabalhadores lotados em locais como centros de saúde e Saúde da Família.

“Para se ter ideia, só em São Sebastião e Paranoá são 29 centros de saúde. Além de não fazer nesses locais, o GDF não fez o segundo teste nos vigilantes de hospitais e UPAs. No Hospital de Campanha do Mané Garrincha, os vigilantes também não fizeram o teste”, informa o sindicato, em nota enviada à coluna.

Ainda segundo a entidade, os profissionais vêm demonstrando grande preocupação e cobrando a realização dos testes, “mas são ignorados pelos gestores do GDF, infelizmente”. “Acreditamos que, numa nova testagem e mais ampla, chegaremos a um número maior de vigilantes infectados e que deveriam estar em isolamento social”, argumenta o Sindesv-DF.

Para o representante da categoria na Câmara Legislativa, deputado Chico Vigilante (PT), o governo precisa agir para evitar a proliferação da doença entre esses trabalhadores que estão expostos ao novo coronavírus. “Eu tenho exigido do secretário de Saúde e todo dia eu cobro. Eles só vão resolver testar todo mundo quando a categoria resolver fazer uma greve para exigir. O Ministério Público do Trabalho já deveria ter agido e não tem feito nada. Isso é um absurdo e um descaso com a vida dos trabalhadores”, frisou.

Procurada, a Secretaria de Saúde informou que está realizando a testagem e que, de 9 de abril a 18 de julho, foram submetidos ao exame 3.030 trabalhadores terceirizados – 81 deram positivo para a Covid-19.

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