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As alianças políticas para as eleições de outubro estão tomando um caminho no mínimo inusitado, no Distrito Federal. Nomes conhecidos pela militância histórica na esquerda passaram a reconsiderar a posição e, hoje, acenam para grupos ligados à direita.

Exemplos comuns são o senador Cristovam Buarque (PPS), que fez carreira em partidos como PT e PDT e corre o risco de dividir, em outubro, o palanque com o presidenciável tucano Geraldo Alckmin.

Outro nome que tem usado a bússola para mapear outros pontos cardeais políticos é o presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle (PDT). Apesar de resistências dentro da legenda, ele ensaia uma aproximação com o ex-secretário de Saúde Jofran Frejat (PR), postulante ao Palácio do Buriti. Antes do PDT, Joe era filiado ao PSB.

Buarque já declarou ao Metrópoles sentir-se desconfortável com a aproximação entre o PPS e o PSDB, e isso reflete nas composições regionais. O senador corre o risco de pedir votos, no DF, para Izalci Lucas (PSDB) ou mesmo Alírio Neto (PTB), que disputam na coligação a chance de se candidatarem ao governo local.

No início das tratativas, há alguns meses, Cristovam Buarque e Joe Valle indicavam caminhar juntos, o que seria considerado natural, tendo em vista o histórico dos dois partidos aos quais eles estão filiados. Apesar disso, recentemente o distrital esteve com Frejat a fim de fecharem uma possível aliança. Na composição, Valle tentaria uma das vagas ao Senado. A outra estaria destinada ao deputado federal Alberto Fraga, do DEM.

O PDT local torce o nariz para a aproximação entre Joe Valle e a direita. A sigla quer o distrital na disputa ao Palácio do Buriti, conforme o presidenciável Ciro Gomes (PDT) anunciou em Brasília no mês passado. O palanque da capital federal para qualquer candidato ao Palácio do Planalto é fundamental.

O fato é que Joe Valle já confirmou internamente: será candidato ao Senado, com o apoio do PR e do DEM. Desconfortáveis, pedetistas tentam motivá-lo a recuar da ideia antes de tentarem alguma medida mais enérgica. A conversa não será fácil: para alguns, Valle teria ameaçado não disputar mais as eleições de outubro caso não houvesse o acordo com Frejat.

Enquanto isso, Cristovam Buarque aguarda o grupo do qual se aproximou para saber de quem será a bandeira que irá erguer, se a do PTB ou a do PSDB. Em qualquer um dos casos, sem dúvida, os dois candidatos terão de perder algum tempo de campanha para explicar ao eleitorado as razões que os levaram a mudar tão drasticamente de posicionamento político.



 


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