GDF quer entregar nova sala Martins Pena até dezembro de 2020

União destinou R$ 33,4 milhões para a reforma, mas Secretaria de Cultura ainda espera repasse para publicação do pregão eletrônico

Daniel Ferreira/MetrópolesDaniel Ferreira/Metrópoles

atualizado 15/11/2019 20:13

Fechada quase há seis anos, a sala Martins Pena, do Teatro Nacional Cláudio Santoro, será reaberta até o mês de dezembro de 2020, segundo informou ao Metrópoles a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal. Pela capacidade de público, de 407 pessoas, o espaço é o segundo mais importante do famoso cartão-postal de Brasília. O anúncio ocorre pouco após o governo federal garantir a liberação de R$ 33,4 milhões para as obras de reforma e restauração do local. O recurso é oriundo do Fundo de Direitos Difusos do Ministério da Justiça (FDD).

Antes da liberação recente da verba, o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), instalou um grupo executivo para elaboração de estudos, e proposição de instrumento voltado ao restauro total do Teatro Nacional Cláudio Santoro foi assinada e publicada no Diário Oficial (DODF) no dia 9 de outubro de 2019, um mês antes da autorização dos recursos da União. Até então, integrantes do Governo do Distrito Federal (GDF) estudavam recorrer a investimentos empresariais em contrapartida a benefícios da política de incentivo cultural.

Durante um ano, o espaço passará por melhorias na acessibilidade – um dos principais motivos da interdição –, além da troca de todas as poltronas, reforma do palco e do piso. Mais para frente, há previsão de recuperação total dos painéis de Athos Bulcão localizados dentro e fora da sala de apresentações. O paisagismo de Burle Marx também será contemplado pelo projeto assinado pelo arquiteto Ismail Solé, já aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

De acordo com a Secretaria de Cultura, o recurso milionário deve ser depositado nas contas do GDF no começo de dezembro, data prevista para o início das obras. Somente então, o pregão será realizado exclusivamente para a sala Martins Pena. Um grupo de trabalho de cooperação mútua sobre a reforma do teatro cuidará da fiscalização e coordenação das benfeitorias. Também cabe aos servidores escolhidos participar da elaboração do edital para contratação de empresa especializada. A comissão foi criada em 12 de novembro deste ano pelos secretários de Cultura, Adão Cândido, e de Obras, Izídio Santos Júnior.

Veja a portaria conjunta:
Reprodução / DODF
Grupo de trabalho cuidará das reformas da sala Martins Pena
Abandonado

Em janeiro de 2014, o Teatro Nacional foi fechado por recomendação do Corpo de Bombeiros (CBMDF) e do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), por não atender a normas de acessibilidade e segurança vigentes. No mesmo ano, a Secretaria de Cultura realizou licitação e posterior contratação do projeto executivo de reforma.

Nos anos seguintes, a crise econômica do país e, em especial, a constatação de uma delicada situação financeira no Distrito Federal tornaram inviável a realização da obra como um empreendimento único – o que demandaria a execução do valor integral previsto no projeto. Nesse contexto, avaliou-se que a melhor alternativa seria a adequação do projeto executivo de forma a permitir a realização da obra em etapas, gradualmente, de acordo com a disponibilidade de recursos financeiros.
Tal encaminhamento permitiria que, em uma primeira etapa, fosse reaberta a sala Martins Pena e, em fase posterior, as salas Alberto Nepomuceno e Villa-Lobos, bem como o Espaço Dercy Gonçalves. Mas a obra não se concretizou.

SOBRE O AUTOR
Caio Barbieri

Cursou jornalismo no Centro Universitário de Brasília (UniCeub). Passou pelas redações do Correio Braziliense, Agência Brasil, Rádio Nacional e foi editor-adjunto da Tribuna do Brasil. Ocupou a assessoria especial no Ministério da Transparência e foi secretário-adjunto de Comunicação do GDF. Chefiou o relacionamento com a imprensa na Casa Civil, Vice-Governadoria, Secretaria de Habitação e na Secretaria de Turismo do DF. Fez consultoria para vários partidos, entidades sindicais e políticos da Câmara Legislativa e do Congresso Nacional. Assina a coluna Janela Indiscreta do Metrópoles e cobre os bastidores do poder em Brasília.

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