Fotos: ala de queimados do Hran tem ralo aberto, chão quebrado e macas destruídas

A situação precária foi alvo do Núcleo de Controle de Infecção Hospitalar, que solicitou reparos imediatos ao comando da Secretaria de Saúde

atualizado 17/09/2020 10:13

Reprodução / SES-DF

Unidade que já foi considerada referência especializada no Distrito Federal, a ala de queimados do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), localizada no 3º andar do estabelecimento, definha abandonada à própria sorte. Inspeção realizada no dia 1º de setembro no local, pelo Núcleo de Controle de Infecção Hospitalar da Secretaria de Saúde, escancarou o estado de total abandono do setor preparado para internar até 24 pacientes simultaneamente. Fotos atuais, realizadas durante a vistoria, foram enviadas com exclusividade para o Metrópoles.

Embora todos os procedimentos cirúrgicos para a terapêutica do queimado ou correção das cicatrizes provenientes da queimadura sejam realizados na unidade, o setor apresenta macas danificadas, pisos descolados, teto com revestimentos quebrados, ar-condicionado sem funcionamento e ralos abertos. A situação precária aumenta o risco de contaminações, não apenas dos pacientes, mas também da equipe multidisciplinar de servidores.

Para se ter ideia, a equipe da unidade é responsável pelo pronto-socorro de queimados e também pelo ambulatório, o que proporciona cuidados desde o momento da entrada do paciente, passando pelo acompanhamento na internação e ambulatório, até a alta definitiva.

Contudo, a realidade encontrada por aqueles que frequentam o local apenas reforça a escalada de problemas existente dentro da rede pública de Saúde, o que também pode refletir no sucesso do tratamento de quem procura a especialidade.

“O paciente queimado é de extrema complexidade, suscetível a infecções, além do estigma que suas sequelas podem trazer para a saúde física e mental. Por isso, o ambiente que o recebe e o trata deve ser acolhedor e promover segurança. Do mesmo modo, o servidor que atua no 3° andar deve ter um ambiente de trabalho que promova o mínimo de segurança, que seja agradável e permita a realização do ofício sem danos”, registra o relatório.

Entre os itens observados durante a inspeção, destacam-se maçanetas estragadas; macas de transporte com sujeira aparente; paredes dos banheiros das enfermarias descascadas, com mofos e risco de infecção fúngica; pisos das enfermarias e banheiros com avarias e favorecendo acidentes; ralos dos banheiros com a tampa estragada, sem a possibilidade de fechamento; leite destinado a pacientes em estado grave amarrados com atadura; fios de monitorização e oxímetro com sujeira de sangue antigo.

A equipe do Núcleo de Controle de Infecção Hospitalar constatou ainda armazenamento de psicotrópicos sem nenhuma segurança de acesso.

Veja mais fotos da unidade:

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“Estrutura precária”

De acordo com os inspetores, foi observado que a estrutura física está precária e inadequada para as atividades hospitalares às quais se destina. “Existem muitas não conformidades estruturais graves que dificultam a higienização e favorecem a ocorrência de infecções e contaminações, como mofo nas paredes, presença de rebocos expostos, avarias no piso, paredes, teto e ralos”, apontam os integrantes do Núcleo de Controle.

Ainda segundo o documento, no centro cirúrgico há inúmeras oportunidades e facilidades para quebras de técnica asséptica, como janelas abertas, vazamentos, avarias no teto, parede, pisos e portas, além de cruzamento de fluxo. “Este último se refere a fluxo de pacientes, materiais e resíduos, e consideramos ser gravíssimo”, diz trecho do documento.

“A estrutura também favorece a ocorrência de acidentes ocupacionais dos servidores. São muitos itens com oportunidades de melhorias urgentes e imediatas quanto a condições ambientais que interferem no controle de infecção de serviços de saúde, sendo necessário plano de ações com medidas preventivas e corretivas com envolvimento de toda a equipe”, sugerem os profissionais no relatório. Para finalizar, recomendam uma reforma imediata na unidade por completo.

O relatório de inspeção foi encaminhado à chefia da Secretaria de Saúde do DF para adoção de providências.

O que diz a secretaria

Em nota, a pasta diz que a direção do HRAN aguarda emissão de um novo documento de empenho emergencial para fazer as reformas estruturais na ala de queimados da unidade.

“A Secretaria de Saúde que esclarece que, uma vez que o HRAN foi declarado como hospital de referência para o enfrentamento à Covid-19, os processos de empenho emergencial direcionados ao HRAN foram para atender as demandas neste âmbito, tais como readequação do Pronto Socorro e dos leitos de UTI e UCI, instalação de oxigênio e ar comprimido”, diz nota enviada à reportagem.

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