Empresários do DF divergem sobre novo horário de shoppings

Por um lado, a CDL sustenta que decisão aumenta custos; por outro, Fecomércio diz que favorecerá praças de alimentação e atrairá público

atualizado 14/07/2020 15:28

reabertura de shoppings Rafaela Felicciano/Metrópoles

Os representantes de lojistas e do comércio estão divididos acerca da publicação, nesta terça-feira (14/7), do novo decreto do Executivo com ampliação no horário de funcionamento dos shoppings, que agora poderão abrir mais cedo: às 11h. Até então, os centros comerciais estavam permitidos a abrir as portas a partir das 13h.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-DF), José Carlos Magalhães Pinto, avalia que a decisão vai penalizar ainda mais o bolso do empresário que atua nesses estabelecimentos, já que terá que ampliar a mão de obra para manter os locais abertos.

“Acredito que, para o momento, não é bom. Estamos atravessando um momento difícil na economia, em especial no nosso setor. A manutenção da forma como estava era o ideal. Aumentar o horário agora significa aumentar custos com pessoal sem o movimento esperado, o que não é nada bem-vindo”, disse.

Segundo o representante do segmento, as pessoas ainda estão inseguras de circular pelo DF, em especial nos centros comerciais fechados. “Deveríamos ter dado tempo ao tempo para que as pessoas pudessem se sentir seguras para voltar a frequentar os shoppings. Isso só vai aumentar o turno, despesas, e com um movimento que não justifica isso. Sou a favor dos shoppings abertos e com segurança, mas seguindo o horário anterior de permissão”. pontuou.

Pedido do setor de alimentação

Já o presidente da Federação do Comércio (Fecomércio-DF), Francisco Maia, afirma que a decisão partiu de um pedido dos empresários do ramo de alimentação, já que o horário anterior inviabilizava a oferta de lanches e refeições durante o horário do almoço.

“Na verdade, isso é uma estratégia. Antes, o governador havia determinado abrir os shoppings às 13h. Mas, para as praças de alimentação, contudo, não servia pra nada. Se por um lado eu concordo com o presidente da CDL, por outro todos sabemos que os restaurantes são os grandes responsáveis pelo movimento nos shoppings. A nossa aposta é que o novo horário ajude a aumentar o público e, com isso, melhore também as vendas gerais”, pontuou.

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Bares e restaurantes vão abrir

Após quase 120 dias fechados, os bares e restaurantes do Distrito Federal retomarão as atividades nesta quarta-feira (15/7). O setor comemora o retorno das operações, que foram suspensas em 19 de março. Desde a data, empresários passaram a amargar prejuízos e contabilizar demissões.

Balanço do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar) aponta que 3 mil estabelecimentos fecharam por complicações financeiras. Foram quase 30 mil colaboradores dispensados no período.

Com a retomada, o setor tem a expectativa de que em dois ou três meses empresários voltem a equilibrar as contas.

“Aqueles que não morreram, vão reabrir, nem que seja aos poucos. Se a gente não reabrir agora, calculam-se mais 10 mil demissões. Não temos mais de onde tirar o dinheiro para pagar funcionário”, explicou o presidente do Sindhobar, Jael Silva.

Desde que recebeu o sinal verde para o retorno das atividades, a entidade trabalha para conscientizar o setor sobre o protocolo de segurança que deverá ser seguido a partir da reabertura.

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