Caiado sobre saída de Moro: “Lamentável ter chegado a esse ponto”

Governador de Goiás era um dos principais aliados do presidente Jair Bolsonaro e também manifestou apoio ao agora ex-ministro da Justiça

atualizado 24/04/2020 12:28

Rafaela Felicciano/Metrópoles

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), afirmou nesta sexta-feira (24/04) ter sido “lamentável” o pedido de demissão do agora ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. O ex-juiz anunciou a despedida do governo durante coletiva de imprensa nesta manhã após a exoneração compulsória do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo

“Sérgio Moro tem uma vida de grandes serviços prestados ao país na moralização e no combate à corrupção. Lamentável que essa situação tenha chegado a esse ponto”, escreveu o titular do Palácio das Esmeraldas em sua conta pessoal no Twitter.

Caiado foi um dos principais aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas anunciou a ruptura com o governo federal após o chefe do Executivo contrariar as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e criticar o isolamento social durante a pandemia do novo coronavírus. O atual governador goiano é médico e foi um dos primeiros chefes de executivos estaduais a exigir medidas protetivas como forma de conter a proliferação da Covid-19.

Antes de manifestar apoio a Moro, Caiado também criticou a demissão do então ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. Após a exoneração do aliado, os dois passaram o fim de semana juntos em Goiás. 

Demissão

Durante a coletiva desta sexta-feira, Sérgio Moro justificou a sua exoneração ao dizer que o presidente queria “interferir politicamente” na Polícia Federal ao exonerar, sem o seu conhecimento, o diretor-geral da PF.

“Sobre a exoneração de Valeixo, fiquei sabendo pelo Diário Oficial. Não assinei esse decreto”, disse. “Fui surpreendido, e achei que isso foi ofensivo”, prosseguiu. Moro destacou que, frente a isso, não teria mais como ser ministro. “Com essa exoneração, [Bolsonaro] mostra que não me quer no cargo”, justificou.

Ao destacar que teria recebido “carta branca” do presidente para nomeações na pasta quando foi convidado para assumir o cargo, ele avaliou que a exoneração foi uma “violação” desse acordo e uma “interferência política” na PF. “Não é só troca do diretor-geral, havia também intenção de trocar superintendentes”, prosseguiu.

“Presidente queria alguém para ligar, colher informações , colher relatórios de inteligência. Isso não é papel da Polícia Federal”, argumentou. “O grande problema não é tanto essa questão de quem colocar, mas por quê colocar, e permitir que seja feita a interferência política no âmbito da Polícia Federal”, prosseguiu.

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